Antes do primeiro choro, existe espera. Em alguns casos são por poucas horas e, em outros, uma noite inteira entre contrações, ansiedade, cansaço e expectativa. No Centro de Parto Normal (CPN) do Hospital Santa Terezinha, esse tempo também faz parte do nascimento e é vivido com acompanhamento, acolhimento e respeito ao ritmo de cada mãe e bebê por parte da equipe.
É ali que muitas famílias vivem algumas das horas mais importantes de suas histórias. A gestante chega, é avaliada pela equipe e, conforme o trabalho de parto evolui, passa a ocupar um dos quartos preparados para acompanhá-la até o nascimento.
Bola de pilates, água morna, banheira e banqueta vertical estão entre os recursos disponíveis para tornar esse período mais confortável e ajudar no alívio da dor. A própria posição para dar à luz pode ser escolhida pela gestante, sempre considerando a segurança da mãe e do bebê.
Não existe uma única maneira de passar pelo trabalho de parto, tem mães que preferem caminhar, outras encontram alívio no chuveiro, tem quem escolha a bola de pilates, passe um tempo na banheira ou se sinta mais confortável com o apoio do acompanhante. A equipe está por perto para orientar e, principalmente, entender o que funciona melhor para cada mulher.
E mesmo quando o parto não segue exatamente o caminho imaginado, o acompanhamento continua, já que, se surgir alguma condição durante a evolução que indique a necessidade de uma cesariana, a gestante é encaminhada para o bloco cirúrgico. Porque acolher também significa entender que cada nascimento tem a sua própria história.
Nasceu! E agora começa outro encontro...
Quando o bebê nasce bem, o primeiro destino é o colo da mãe. O contato pele a pele é estimulado logo após o nascimento e, por alguns instantes, mãe e bebê finalmente se encontram. A equipe aguarda entre 1 e 3 minutos para realizar o clampeamento do cordão umbilical, que é quando o cordão é pinçado e cortado. Em alguns casos o acompanhante também pode participar do corte.
Os primeiros cuidados acontecem sem perder de vista aquilo que importa naquele momento: manter mãe e bebê próximos. Depois das avaliações necessárias, como pesagem e medidas, começa também uma descoberta que nem sempre acontece de maneira automática: a amamentação.
A equipe acompanha as primeiras tentativas, observa a posição do bebê, a pega e o conforto da mãe. Às vezes é preciso reposicionar, tentar novamente, e encontrar um jeito mais confortável. Cada mãe tem uma anatomia, cada bebê responde de uma forma e cada dupla precisa encontrar o seu próprio ritmo.
Agosto Dourado
Durante o Agosto Dourado, mês dedicado à conscientização e ao incentivo ao aleitamento materno, falar sobre amamentação também é falar sobre tudo aquilo que acontece antes dela. É sobre como essa mãe foi recebida, como viveu seu trabalho de parto, quem esteve ao seu lado e como foi acolhida quando pegou bebê nos braços pela primeira vez.
No Hospital Santa Terezinha, esse cuidado começa antes do nascimento e continua nos pequenos gestos das primeiras horas: ajudar a encontrar uma posição confortável, orientar uma pega, responder uma dúvida ou simplesmente estar por perto enquanto mãe e bebê começam, juntos, uma história completamente nova.
Quase dez anos depois, uma nova experiência
Para uma das mães que passou recentemente pelo CPN, o nascimento da segunda filha também trouxe a oportunidade de comparar duas experiências separadas por quase uma década.
Com 40 semanas de gestação e ainda sem dilatação, Sandra Piovezan, de 37 anos, iniciou a indução durante a tarde. Foram horas de espera até o trabalho de parto avançar e, quando as contrações se intensificaram e a bolsa rompeu, tudo aconteceu mais rápido.
Durante o processo, passou pela banheira e utilizou a banqueta vertical e às 4h da manhã, a Maria Antônia nasceu de parto normal. O cansaço depois de tantas horas era grande, mas é justamente desse período que ela guarda uma das lembranças mais bonitas. “Foi uma experiência muito boa, porque a equipe é muito preparada e o ambiente espetacular! Eu tive a experiência do parto da minha primeira filha quase dez anos atrás e hoje está tudo muito diferente. A estrutura, o atendimento, tudo. Muito humanizado”, conta.
Depois do nascimento, as duas permaneceram juntas e vieram as primeiras tentativas de amamentação, também acompanhadas de perto pela equipe. “Foi tranquilo, porque contei com o suporte da equipe que não tirou o olho de mim um minuto. Eu estava muito cansada e elas foram extremamente atenciosas”, lembra.
Em meio à madrugada, enquanto aguardava para seguir para o quarto, uma conversa com seu marido, que a acompanhou no processo, resumiu o sentimento daquele momento. “A gente comentou que essas mulheres nasceram para fazer isso. Nasceram para ajudar outras mulheres”.