Passadas as festas de Natal e final de ano e, consequentemente, a posse dos dirigentes que irão comandar o município de Erechim por mais quatro anos, juntamente com a dos vereadores que tem um papel importante neste processo, é hora de começar a lembrar sobre o destino dos patrimônios públicos de Erechim, especialmente o Castelinho que ano após ano definha cada vez mais para o tempo e para os cupins.
Há anos o Grupo Bom Dia vem realizando uma série de matérias com relação ao triste destino dos prédios antigos do município e que fazem parte da história dos 106 anos de emancipação político administrativa naquela tentativa da “água mole em preda dura...” para ver se ações são realizadas a fim de vermos um final feliz para que a história seja resgatada na sua plenitude.
Nesta caminhada foram apontadas necessidades e cobradas ações para que o pior não viesse a acontecer como ocorreu com a primeira escola de Erechim, do saudoso Professor Mantovani que vinha dando sinais de deterioração pela umidade excessiva do terreno onde estava erguida, pelo tempo de uso, pelos cupins e pelo total descaso de seus proprietários, visto que a mesma descansa em solo particular. Arriada ainda mostra a sua importância para a educação local, principalmente pelo que representa para gerações passadas e para quem ainda teve a oportunidade de vê-la em pé.
Embora na atual situação, conforme especialistas, há a possibilidade de refazê-la novamente seguindo o mesmo modelo e usando material que não foi danificado pelos cupins ou pela umidade, a exemplo de suas janelas, portas e alguns estruturas internas que não sofreram tanto com a sua queda. Se houver vontade e participação de recursos públicos e privados ainda há a possibilidade de sua reconstrução junto a Escola Estadual Mantovani para que seja um símbolo histórico e de memória para as futuras gerações. Professora Neusa Garcez, antiga moradora do local e historiadora seria a fonte principal para isso.
Também se arrasta a situação da antiga estação ferroviária que sucumbe ao abandono, sendo hoje local de acampamento de indígenas que chegam até Erechim para armar barracos de lona plástica e vender os seus artesanatos. O que poderia ser referência como alguns município da região, torna-se um local malvisto, malcuidado e deixado à própria sorte, mesmo sendo um dos locais por onde passou grande parte da economia local com o transporte de madeira, grãos e de passageiros. No passado o artista plástico Harrysson Testa se esmerou para transformar o local, mas sem sucesso.
Também destacamos o prédio dos Correios que na minha infância era um ponto de referência histórica na cidade onde se buscavam as correspondências. Depois de muitas tentativas em Brasília também está no esquecimento. Ex-vereador Waldemar Loch realizou várias viagens a capital federal, sem retorno positivo.
O Castelinho, ah este sim tem enfrentado o tempo com glória, ou seja, sofre aqui ou acolá e continua em pé. De Comissão de Terras a sede de secretarias do município, de moradia, de local de exposição cultural e artística, de destaque regional e estadual, fechado há muitos anos vem se segurando pelas suas estruturas antigas para não ir ao chão. Passou por duas tentativas de restauração, sem sucesso, foi totalmente perfurado quando na iluminação de Natal em determinada gestão administrativa, quase pegou fogo pela insanidade de alguém e sofre a cada ano com excessos de chuva, de calor, de infiltração, de esquecimento e de isolação. É como um soldado que foi mandado à guerra e acabou sendo esquecido na batalha, ainda não perdida, mas quase, falta pouco. Atual administração já possui planos e comunidade espera concretização.
Desta forma, o Grupo Bom dia espera, mais uma vez, que ações concretas sejam realizadas para que não somente o Castelinho, a Estação Férrea, o Correios, a escola do Professor Mantovani, mas toda e qualquer edificação história, seja pública ou particular tenha a sua devida importância para a preservação histórica de nosso município, e isto cabe a união dos Poderes Públicos, empresários, universidades, historiadores e o próprio cidadão que faz parte deste grande processo de resgate de nossos antepassados e futuro de nossos filhos e netos.