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Economia

Aposta perigosa: como o vício em jogos afeta as relações

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Pessoas com comportamento compulsivo estão sempre preocupadas e ansiosas pela próxima aposta
Dr. Anderson Madalozzo, psiquiatra, explica como o vício nos jogos pode afetar as relações interpess
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A dependência se torna uma patologia mental semelhante ao uso abusivo de drogas como álcool e cocaína

Os jogos de azar fazem parte da vida há muito tempo e, hoje, a febre do momento é a aposta esportiva, os famosos Bets. Porém é preciso muita cautela, pois o que pode começar como uma brincadeira, pode se tornar algo sério influenciando negativamente em todas as relações humanas.

Transtorno do jogo

Conhecido também como vício em apostas, é classificado pela Psiquiatria como um Transtorno Aditivo. Esta patologia mental do jogo compulsivo pode ser comparada ao uso nocivo de drogas de abuso, como o álcool e a cocaína. Tanto um, quanto o outro, ativam o sistema de recompensa cerebral, produzindo um prazer imediato.

O psiquiatra, Dr. Anderson Madalozzo, explica que “o que caracteriza o jogar como um transtorno é a persistência e a recorrência deste comportamento”, ou seja, é a incapacidade do indivíduo de resistir ao impulso de jogar, apesar dos significativos prejuízos na vida social, no trabalho, e na relação familiar, tal e qual como o uso das drogas.

O vício e as relações humanas

As pessoas que apresentam padrões de comportamento compulsivo, neste caso, pelo jogo, estão sempre preocupadas e ansiosas pela próxima oportunidade, pois na cabeça delas, será ali que ela vai recuperar o prejuízo financeiro das apostas anteriores.

Então para saciar aquele prazer do início, cada vez as apostas são mais altas, sendo malsucedidos os esforços para reduzir ou interromper o hábito do jogo, trazendo mais irritabilidade ao indivíduo. “Novamente, os mesmos comportamentos de um dependente de substâncias psicoativas”, lembra Madalozzo.

As consequências disso tudo se refletem também no trabalho, com perda de produtividade, aumento do absenteísmo, perda de oportunidades e demissões.

O vício e a dinâmica familiar

A dinâmica familiar também pode sofrer um impacto significativo. As mentiras e omissões podem erodir a confiança entre os membros da família, criando um ciclo de desconfiança e conflito. Esse ambiente pode resultar em um estresse constante, afetando a saúde emocional de todos os envolvidos.

Os cônjuges e filhos frequentemente se sentem impotentes e culpados, o que pode levar a sentimentos de ansiedade e depressão. Além disso, crianças e adolescentes que crescem nesse tipo de ambiente podem ter dificuldades em várias áreas, como a socialização, o desempenho acadêmico e o desenvolvimento emocional saudável. É fundamental que as famílias afetadas busquem apoio, tanto para o dependente quanto para os demais membros, para lidar com as consequências e promover um ambiente mais saudável.

Entretanto, não devemos julgar a compulsão por jogos como fraqueza, falta do que fazer, ou qualquer outro preconceito que a sociedade pode se valer. É uma doença. Afastar estes estigmas é fundamental pois atrasam a possibilidade de recuperação. O jogador compulsivo não tem controle, e geralmente está fragilizado emocionalmente, envergonhado e solitário”, salienta Madalozzo.

Aumento de casos em Erechim

De acordo com Madalozzo, há um aumento da incidência de casos principalmente, muito influenciado pelas apostas online. Porém, normalmente não são os pacientes que vem ao consultório e, sim, os familiares que procuram ajuda como um ultimato na tentativa de recuperar aquele ente querido.

Como ajudar

O reconhecimento dos sinais é fundamental, pois muitas vezes o dependente pode esconder seu problema até que se torne insustentável. O diálogo aberto e acolhedor pode ajudar a criar um espaço seguro para que o dependente se sinta à vontade para buscar ajuda.

O engajamento da família no tratamento é realmente crucial. Restabelecer a comunicação e estabelecer regras claras pode ajudar a criar um ambiente mais saudável, permitindo que todos os membros da família compreendam melhor a situação e seus papéis. Identificar gatilhos para recaídas e trabalhar para eliminá-los também é um passo importante.

Além disso, a psicoterapia individual e familiar, junto com a possibilidade de uso de medicação, pode ser muito eficaz. Grupos como Jogadores Anônimos oferecem um suporte valioso, proporcionando um espaço de compartilhamento e aprendizado, essencial para a recuperação.

Madalozzo comenta o quão as abordagens terapêuticas, como a terapia sistêmica e de casal, são fundamentais para ajudar a restaurar relações e promover mudanças comportamentais. A reconstrução das conexões familiares pode ser um componente vital na jornada de recuperação, proporcionando um suporte emocional que muitas vezes é necessário para a superação desse desafio.

 

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