Quem anda pelas calçadas de Erechim que comemora seus 106 anos de emancipação político administrativa, já deve ter se deparado com uma figura quase que mitológica entre a comunidade que passa a casa dos 107 mil habitantes.
Disposição
Com uma disposição que parece um adolescente e amigo de grande parte da população que convive no seu dia a dia de trabalho, nos deparamos, constantemente, nas esquinas, nas praças, em eventos e nos mais diversos locais, como Paulo Eduardo Damski, 66, casado, pai e natural de Erechim, cidade que admira e ama, principalmente por causa de sua população.
Quem é o palhaço?
Mas quem é Paulo? é a figura do palhaço que vende balões, algodão doce e brinquedos para a criançada. São anos de trajetória que já marcaram o seu caminho e confiança de seus clientes, novos e antigos.
Para saber mais sobre ele e, de certa forma, abrir um pouco de sua vida nesta edição que comemora o aniversário de Erechim, o procuramos, sentamos juntos e construímos o relato onde mostramos que os invisíveis também fazem parte da construção desta cidade.
Início
Mas toda a história tem um começo, e a de Paulo iniciou em Campo Mourão quando esteve longe de sua cidade natal, momento em que surgiu a oportunidade de trabalhar para uma loja local. “Fui convidado, coloquei uma roupa de palhaço e hoje já faz trinta anos que estou nesta caminhada”.
Depois de enfrentar alguns problemas familiares voltou o caminho de casa, se estabelecendo novamente em terra bota amarela, o que para ele foi extremamente gratificante, pois destaca a cidade como muito boa para trabalhar. “Uma cidade sem violência e onde me recebem bem em todos os lugares por onde vou”.
Venda de algodão
Os trabalhos com as vendas de algodão doce tiveram início em 2009, anteriormente também teve a venda de picolé e a representação de Papai Noel em várias oportunidades, garantido que hoje, o que atrapalha um pouco são alguns trabalhadores que também fazem o trabalho de rua e que, devido a algumas ações, acabam dificultando o resultado esperado.
Numa forma de agradecimento a população nestes 106 anos de aniversário, Paulo destaca que sempre foi bem recebido por todos, mesmo quando em tempos em que saia da cidade e retornava posteriormente.
Nem tudo são flores
Nesta sua caminhada, o que nem tudo são flores espalhadas pelo caminho, destaca algumas dificuldades enfrentadas, como a recusa da compra de seus produtos, ou a deslealdade de outros vendedores ambulantes em disputarem o mesmo ponto e não poder fazer nada, já que o espaço é para todos. Lamenta, também, que anteriormente podia fazer as suas vendas junto ao Seminário Nossa Senhora de Fátima, mas que atualmente são proibidos, o que diminui a renda no final do mês.
Família
Falando sobre sua família, garante que há uma sintonia de sua atividade dentro do lar, seja da esposa, filha, genro, irmão e principalmente da sua mãe. “Eles adoram tudo o que eu faço, como as crianças que atendo com as vendas de balões e outros produtos. Sempre entrego para as mães que são bem receptivas com meu trabalho”.
Concorrência
Com relação a grande concorrência que se enfrenta hoje junto as ruas, principalmente daqueles que chegam em Erechim e vão até as sinaleiras mostrar o seu talento e com isso conseguir alguma ajuda, Paulo ressalta que isso é muito importante, pois são pessoas que estão longe das drogas ou de problemas.
Aposentadoria
Em relação ao tempo que pretende estar ainda nas ruas e avenidas de Erechim, garante que ficará no exercício de sua profissão até quando a saúde deixar. “Já estou aposentado e com mais esta renda consigo dar uma vida digna para a minha família”.
Grande cidade
“Erechim para mim é uma grande cidade, pois sou muito bem recebido, somente acho que poderiam nos dar maiores oportunidades, como por exemplo na realização de grandes feiras junto ao parque da ACCIE e no Seminário Nossa Senhora de Fátima. Sou bem recebido junto as praças de nossa cidade. Em toda a minha caminhada nunca tive nenhum problema com algum cidadão, ou seja, sempre me respeitaram como respeitei a todos nesta minha caminhada”, garante.,