Ficar na memória de todos e eternizar os nomes de todas as vítimas do acidente com o ônibus escolar que aconteceu na Barragem da Corsan no dia 22 de setembro de 2004, quando em um dia chuvoso o mesmo derrapa e cai no lago vitimando 16 crianças e uma monitora, um dia internacionalmente conhecido que se tornou uma ferida que, embora o passar dos anos, nunca cicatriza para as famílias que perderam alguém naquele dia fatídico.
Este é um dos principais motivos para Erechim ganhar, no início de 2024 um Memorial que ficará marcado para esta e as futuras gerações. Na época do acidente foi construído um monumento junto a estrada da barragem, mas pela distância ficou no esquecimento, pois está longe da vista das pessoas e, o que não se vê não é lembrado. Portanto, deve ser resgatado para que nunca mais venha ocorrer nesta e nas futuras gerações.
O artista
Para tornar a obra uma realidade, que ficará no Largo próximo à Praça Municipal Prefeito Jayme Lago na Avenida Sete de Setembro, nada mais do que o artista plástico Harrysson Testa que através de sua obra colocará para a eternidade o nome de todas as crianças e a monitora.
Harrysson, mais conhecido como Magrão Testa, destacou que ao realizar este trabalho não tem como não se emocionar durante a execução, pois a obra remete a imagens que ninguém gostaria que tivessem acontecido, “mas que é oportuno e necessário pois as pessoas não podem esquecer estas pessoas que ficaram pelo trajeto e que tinham toda uma vida pela frente. Este é o grande ponto, pois o Memorial traz a memória do acontecimento”.
A ideia
Testa lembra que a motivação para a realização do Memorial surgiu da indagação do vereador Claudemir de Araújo que, procurado por alguns pais das crianças de morreram no acidente lamentaram que seus filhos haviam caído no esquecimento, ou seja, as pessoas não sabem, na realidade, quem estava na tragédia, se tentou salvar alguém ou não, ou se não morreu tentando tirar um colega naquele momento. “São questões que ficam no questionamento dos pais e que nunca iremos saber. Daí a necessidade de contemplar a maioria”.
O projeto
Na oportunidade Araújo teria questionado o que poderia ser feito para isto se tornasse realidade. “De prontidão coloquei que nada mais justo que a construção de um Memorial, não um monumento”. Desta forma Testa foi intimado a realizar um projeto que foi pensado e colocado no papel e entregue ao vereador.
“A aprovação foi de imediato, mas ocorreu perto das eleições, portanto foi adiado para que as pessoas não tivessem a impressão de que fosse uma obra de eleição. No entanto, estava um pouco difícil para conseguir a verba, mas após o vereador ter entrado em contato com o atual presidente das Casa Legislativa, Sérgio Alves Bento, que repassou para os demais vereadores se chegou no consenso, através de Emendas Impositivas da Câmara de Vereadores para a sua realização, ou seja, o projeto é da Casa, com iniciativa do vereador Araújo. O repasse de recursos será para a Secretaria Municipal de Cultura e Esportes que fará a gerencia deste até a sua instalação”, garante.
Definição no local
A definição do local, ressalta o artista, foi uma discussão da qual ele não fez parte, mas sim entre os 17 vereadores da Casa que optaram pelo Largo próximo a Praça Jayme Lago e a agência do Sicredi. “O mesmo não deveria ficar em um local de difícil acesso, como o local do acidente, mas sim em um ponto em que fosse visualizado pela população para justamente lembrar das crianças vítimas daquele acidente”.
Significado
De acordo com o artista, o Memorial terá um apelo afetivo e de sensibilização. Serão 17 lápis, sendo o mais alto a representação da monitora com cinco metros de altura e os demais vem diminuindo de tamanho pois representam as crianças. “São oito de cada lado, pois eles estavam indo para a escola. Será em forma de cátedra, com cubos de lego em metal, uma pilha de livros e um livro aberto que contará com os nomes dos 17 e uma mensagem representando o mesmo. Para finalizar a figura de um anjo de dois metros e meio todo em aço inox”.
Estágio da obra
Harrysson, após questionado pelo jornalista Rodrigo Finardi em entrevista à TV Bom Dia, garante que a obra está com a parte mais difícil concluída, que estaria utilizando aço inox, o que demanda mais trabalho de soldagem, mas que será inaugurada em 2024, provavelmente no início do ano letivo.