Para quem passa pela Avenida Maurício Cardoso, próximo a Esquina Democrática, pode contemplar o trabalho de um homem só, concentrado na sua arte de restaurar e gerando um bom resultado daquilo que se propôs para resgatar um pouco da história de Erechim nos seus 105 anos de fundação.
Estamos falando da figura que se destaca entre tantas pessoas que passam pelas calçadas e contemplam o trabalho formiguinha, mas que demanda de certa sabedoria e muitos anos de experiência. De cabelos brancos, Luiz Ademir da Silva, 63 anos de idade, calceteiro de profissão, trabalha agachado na maior parte do dia, momento em que alinha as pedras portuguesas numa ação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente que busca dar vida novamente aos canteiros centrais.
Na realização de seu trabalho, Luiz destaca que realizar a restauração do canteiro da avenida é muito satisfatório, pois sendo calceteiro há muitos anos já possui obras de restauração em vários locais do Brasil. “A minha vida é a restauração, pois hoje estou aqui e amanhã estou em outro lugar”.
Natural do Paraná, morando atualmente em Cuiabá, destaca que é um grande orgulho realizar esta obra, pois esta é uma profissão em extinção no Brasil. “São 40 anos trabalhando em restauração, por isso a satisfação de realizar um trabalho como este, principalmente em Erechim que é a minha base”, ressalta.
Com relação a iniciativa da Prefeitura de Erechim em restaurar os canteiros, Luiz destaca que o modelo deveria ser seguido por muitos municípios que acabam não preservando as suas memórias. “Uma calçada que já resiste há várias décadas, mas que necessita de uma ação para que se preserve dentro da história do município. Não existe calçada melhor para aguentar tanto tempo como esta. Depois desta restauração ela terá uma longevidade muito maior”, lembra.
Em 2022, lembra ele que ficou durante um ano no município de Passo Fundo, oportunidade em que fez a restauração da Praça da Cuia.
Para as futuras gerações que estão visualizando seu trabalho de resgatar a história, Luiz destaca a importância do preservar, principalmente pelo fato de não haver mais mão de obra especializada para preservação de lugares como este.
O investimento
O investimento previsto é em torno de R$ 95,4 mil, sendo R$ 64,81 mil de material e R$ 30,59 mil de mão obra.
Capacidade técnica em restauro de pisos históricos
De acordo com o secretário de Meio Ambiente, Cristiano Moreira esse é um canteiro protótipo e servirá como piloto para todo o restante do processo. É um serviço que custa em torno de R$ 100 mil por canteiro.
A continuidade do projeto
Após a conclusão desse primeiro canteiro, será analisado o resultado, as questões orçamentárias, a possiblidade de busca de recursos de fora, para dar continuidade nos demais canteiros: “A partir da recuperação deste primeiro canteiro, teremos os dados necessários para avançarmos nos demais”, pontua Cristiano.