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Histórias da Corte aproximam a Frinape das crianças e transformam trajetórias reais em inspiração

Projeto lançado durante a apresentação oficial da Frinape 2026 transforma em literatura infantil as histórias de vida das integrantes da Corte

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Momento do lançamento da coleção infantil Histórias da Corte.jpg
Capa do Livro Paloma - A menina que se tornou rainha.jpg
Histórias da Corte, uma das grandes novidades da Frinape 2026.jpg
Káren Brustolin apresentando uma das grandes novidades da feira.jpg
Por Assessoria
Foto Divulgação

Uma coroa pode encantar uma criança. Um vestido pode despertar admiração. Mas, por trás dos símbolos que tradicionalmente acompanham uma Rainha, existem uma menina, uma família, dificuldades, escolhas, sonhos e uma história que começou muito antes de ela subir ao palco. É justamente esse outro lado da realeza que a Frinape 2026 quer apresentar às novas gerações.

Durante a solenidade de lançamento da edição comemorativa dos 60 anos da Frinape, realizada na noite de sexta-feira, 14 de agosto, no Pólo de Cultura, a coordenadora da Comissão Social, Káren Brustolin, apresentou um dos projetos mais afetivos preparados para esta edição: a coleção “Histórias da Corte”. A iniciativa transforma em literatura infantil fatos reais da vida das integrantes da Corte da Frinape 2026, aproximando Rainha, Princesas Étnicas, Princesa Nativa e Prenda especialmente das crianças.

O primeiro volume é dedicado à Rainha da Frinape 2026, Paloma Carvalho de Lima. Intitulado “Paloma, a menina que se tornou Rainha”, o livro percorre momentos marcantes de uma trajetória construída longe dos palcos e das coroas e mostra que, antes da faixa de Rainha, existiu uma menina que precisou aprender muito cedo sobre dificuldades, diferenças, coragem e a possibilidade de sonhar.

Inspirada na história real de Paloma, a obra tem texto, direção criativa e projeto gráfico de Káren Brustolin. As ilustrações foram produzidas com Inteligência Artificial, sob direção artística de Káren. O livro é uma realização da ACCIE e da Frinape 2026.

MAIS DO QUE REPRESENTAR, CRIAR VÍNCULOS

Ao apresentar o projeto, Káren Brustolin, explicou que a proposta faz parte de um trabalho iniciado ainda em 2024 para ampliar a relação da Corte com a comunidade. “Mais do que acompanhar as nossas representantes durante o seu reinado, temos buscado construir novas formas de aproximar a Corte das pessoas, tornando-a cada vez mais presente, mais acessível e mais próxima”, destacou Káren.

Segundo ela, há um olhar especial para a infância. A intenção é fazer com que a presença das soberanas não fique restrita aos momentos oficiais da feira, mas seja capaz de construir vínculos e lembranças. “Queremos que as crianças conheçam a rainha e princesas, convivam com elas, criem memórias e que, quem sabe, olhem para essas meninas e pensem: ‘Um dia também quero estar lá’. Porque preservar a tradição da Corte também significa fazer com que as próximas gerações desejem continuar essa história”, afirmou.

A coordenadora também ressaltou a participação das entidades étnicas, das integrantes da Comissão Social e dos patrocinadores na construção das ações voltadas à Corte. Para Káren, as entidades têm papel fundamental na preservação da história, da diversidade e das origens representadas pela Frinape.

ERA UMA VEZ UMA MENINA CHAMADA PALOMA

O primeiro volume da coleção apresenta às crianças alguns dos episódios que ajudaram a formar a trajetória da atual Rainha. Natural do interior do Tocantins, Paloma viveu uma infância simples ao lado dos pais e dos irmãos. A narrativa recupera, entre outras lembranças, a casa de madeira para a qual a família se mudou antes mesmo de o telhado estar concluído. Em uma noite de chuva, parte do pouco que possuíam acabou danificada. No dia seguinte, vizinhos chegaram para ajudar e, com muitas mãos, a casa finalmente ganhou seu telhado.

O livro também aborda uma experiência vivida na escola, quando Paloma percebeu que seus cabelos eram diferentes dos das outras meninas. Ao perguntar à mãe por que seus cachos não eram iguais, recebeu uma resposta que levaria consigo: assim como não existem nuvens exatamente iguais e é essa diversidade que torna o céu bonito, cada pessoa também é especial à sua maneira. Durante um período, Paloma alisou os cabelos para se parecer com as outras meninas. Mais tarde, decidiu deixar os cachos crescerem novamente, reencontrando também uma parte de sua identidade.

Aos 16 anos, a menina tomou outra decisão importante: deixou sua cidade no interior do Tocantis e partiu sozinha, de ônibus, em busca de novas oportunidades. Levava poucas roupas e muitos sonhos. O caminho iniciado naquele momento acabaria conduzindo Paloma até Erechim e, anos depois, ao palco onde foi anunciada como Rainha da Frinape 2026.

A menina da casa ainda sem telhado, da estrada de terra e dos cachinhos que aprendeu a valorizar passava, então, a usar faixa e coroa e a representar uma feira que, em 2026, celebra seis décadas de história.

LITERATURA PARA MOSTRAR OUTROS CAMINHOS POSSÍVEIS

É nesse encontro entre a menina que Paloma foi e a Rainha que se tornou que está a essência da coleção. Káren Brustolin destacou que o projeto pretende ir além da imagem tradicionalmente associada às soberanas. “Queremos que nossas crianças não conheçam apenas os vestidos, as coroas ou os momentos que acontecem durante a feira. Queremos que elas conheçam as meninas que integram a Corte, suas origens, seus desafios, suas escolhas, seus sonhos e os caminhos que as trouxeram até aqui”, explicou.

Por isso, todos os livros da coleção serão inspirados em fatos reais e construídos a partir da trajetória de cada representante. Sobre o primeiro volume, Káren sintetizou a mensagem que a Comissão Social pretende levar aos pequenos leitores: “Uma história real transformada em literatura infantil para mostrar aos nossos filhos que os lugares de onde partimos não determinam até onde podemos chegar”.

LIVRO TAMBÉM GUARDARÁ A MEMÓRIA DO ENCONTRO

O projeto foi pensado para que a experiência não termine na última página. Na contracapa de cada exemplar há um espaço reservado para que a Rainha deixe uma mensagem à criança que for encontrá-la na Casa da Corte durante a Frinape. Há também um local destinado à fotografia desse encontro. A proposta é unir literatura, afeto e memória. “Queremos que ela leve o livro para casa, mas leve também a lembrança de um momento vivido com a sua Rainha”, afirmou Káren.

Durante o lançamento, também foi anunciado que cinco exemplares do primeiro volume serão doados a cada instituição de ensino da Rede Pública Municipal de Erechim, ampliando o acesso das crianças à obra. A entrega simbólica da primeira unidade marcou oficialmente o início da coleção. O livro também será disponibilizado ao público para aquisição.

UMA COLEÇÃO QUE ESTÁ APENAS COMEÇANDO

“Paloma, a menina que se tornou Rainha” é somente o primeiro capítulo. Nos próximos meses, novos volumes da coleção “Histórias da Corte” serão lançados, apresentando as trajetórias das demais integrantes da Corte da Frinape 2026. A iniciativa integra um conjunto de ações que busca ampliar a presença das soberanas na edição dos 60 anos. Durante o lançamento, Káren também anunciou a segunda edição do Chá Real, a Parada da Realeza — que neste ano será realizada à noite e deverá reunir também cortes de municípios da região — e novas experiências na Casa da Corte, onde o público poderá encontrar as representantes da feira e registrar esses momentos.

Ao transformar histórias reais em livros infantis, entretanto, a Comissão Social acrescenta uma dimensão diferente à tradição. A coroa deixa de ser apenas o ponto de chegada e passa a despertar uma pergunta: qual foi o caminho percorrido até ela? No caso de Paloma, a resposta começa muito antes da Frinape. Começa em uma casa ainda sem telhado, passa por uma estrada de terra, por uma menina aprendendo a gostar dos próprios cachos e por uma adolescente que entrou sozinha em um ônibus carregando uma pequena mala.

Décadas depois da primeira Corte da Frinape, escolhida em 1966, a edição dos 60 anos encontra, assim, uma nova maneira de preservar essa tradição: contar às crianças que por trás de cada faixa existe uma pessoa e, por trás de cada pessoa, uma história. “Nosso desejo é que esses livros circulem pelas casas, pelas escolas e, principalmente, pelas mãos das crianças”, resumiu Káren. “Porque quando uma criança conhece uma história que a inspira, talvez esteja ali começando uma nova história.”

 

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