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Opinião

Memórias de viagem

Europa Ocidental e Sul – Suíça – A caminho do Lago Konstanz

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Marlei Klein
Por Marlei Carmen Reginatto Klein – Membro da Academia Erechinense de Letras
Foto Marlei Carmen Reginatto Klein

Curiosidades sobre a Guarda Suíça do Papa no Vaticano: A Guarda Suíça Pontifícia foi fundada, em 1506, pelo Papa Júlio II em homenagem à família Médici, italiana, que teve quatro Papas na família. Esta família sempre contribuiu com as artes sendo os mecenas especialmente na Itália e na França. O uniforme da Guarda foi criado, em 1914. Muito colorido e chama a atenção: em azul, vermelho e amarelo com plumagem preta no capacete. Ela é a unidade militar mais antiga do mundo. Na Suíça, são soldados comuns escolhidos entre os de 17 a 30 anos de idade. Devem ter mais ou menos 1,74 m de altura e servir durante dois anos. Após, podem voltar para o seu país ou seguir a carreira militar. A escolha por soldados suíços é por ser o país de neutralidade política onde impera a lealdade, a fidelidade e a coragem. Durante as viagens papais, os Guardas usam roupas comuns: terno e gravata.

Winterthur: pertence ao cantão de Zurique e próximo desta cidade. Com uma rica herança industrial, belos parques, jardins e com um Centro Histórico somente para pedestres. É a cidade da inovação e da tecnologia. Possui um grande Centro de Tecnologia onde alunos locais e de muitos outros países praticam a aprendizagem e fazem pesquisas. Ligado a ele está uma espécie de tecnorama: o Swiss Science Center of Tecnologic – interativo e com a possibilidade de experimentos para os alunos do Ensino Médio e da Universidade. Passando por ele, chama a atenção a quantidade de bicicletas estacionadas, o meio de transporte mais usado. Embora, o desfile de preciosos carrões importados seja uma norma. Em Winterthur, e no país, as pessoas dominam duas a três línguas.

Seu centro histórico: a velha cidade, como é chamada, onde suas ruazinhas circundam a bela Catedral, quase encostando nela. São fileiras de casas com fachadas coloridas, muitas com pinturas e relevos. Entre elas, pequenas fontes com água potável, sempre fresquinha vindo das montanhas. O Castelo de Kyburg – 800 anos- é seu patrimônio histórico. Antigos casarões, bem conservados, são lojas. Uma vitrine, em especial, chamou-me a atenção: relógios suíços, famosos, de até 8 mil euros. Interessante, expostos numa vitrine de rua, muito comum. Para os brasileiros vale olhar... Como ainda a temperatura de outono era agradável, muitas mesas de bares estavam nas calçadas e lotadas. Valeu a pena uma parada e tomar um café. Sentar e ficar na delícia da sombra das árvores que ladeiam a rua pincipal. Elas estão sempre cercadas por bicicletas estacionadas. Numa colina, próxima ao centro, existe um belo residencial com lindos casarões entremeados pela natureza: árvores e jardins de rosas. Bancos de madeira e com algumas revistas para quem queira ler. 

Stein Am Rhein: passamos pelo local, também próximo a Zurique. Seu nome significa Rocha sobre o Reno. Suas casas são do estilo alemão enxaimel – madeira entremeada no concreto. A distância é de mais ou menos uma hora de Zurique. No local estão as entradas para as Cataratas do Rio Reno. Estas são o fenômeno mais belo deste importante Rio que atravessa a Europa. É a maior queda de água, em volume, da Europa, com 23 metros de altura – as famosas cachoeiras do Alto Reno – as Rheinfalls. Logo após a queda de água, o Rio segue rumo ao Lago Konstanz onde nele entra, o atravessa e, fora do Lago, o Reno continua serpenteando pelas planícies. Um fenômeno inusitado da natureza. No lado direito da cachoeira, no alto, está um castelo, bem conservado, para a visitação.  Existem plataformas, bem seguras, para uma melhor apreciação das águas. Este lugar é um dos mais procurados pelos turistas.

O Rio Reno: o Rio Reno não é apenas o rio mais extenso da Europa Ocidental, como também é uma hidrovia movimentada. Este seu papel foi importante na história econômica, principalmente da Alemanha. Às suas margens, castelos medievais montam guarda no alto das colinas, ao longo da extensão central do rio, em meio a vinhedos. Lá são produzidos os melhores vinhos alemães. Em 1992, foi aberto um canal de ligação entre os rios Reno e o Rio Danúbio. Assim, sendo possível a navegação de 3 500 quilômetros do mar do Norte ao Mar Negro- oeste da Romênia, próximo à Rússia. As estreitas terras que restavam aos lados Rio Reno e a Revolução Industrial na Europa Ocidental, foram as principais causas da grande imigração de alemães e suíços para o Brasil.

A Suíça internacional: a Suíça declara ter sido neutra desde 1516- com o reconhecimento pelo Congresso de Viena, em 1815. O país sempre se manteve firme em sua neutralidade, mesmo durante as duas guerras mundiais. Os suíços são defensores ardentes de sua posição de neutralidade. Nunca fizeram aliança militar com uma força estrangeira. O conceito de neutralidade está sempre evoluindo e a Confederação Suíça tem-se permitido maior flexibilidade nos últimos anos. Como membro das Nações Unidas, enviou observadores desarmados para lugares de conflitos. A Cruz Vermelha foi fundada na Suíça, em 1863, para ajudar vítimas de guerra e revoluções, no mundo inteiro.

Conclusão: o que diferencia a Europa Ocidental – onde se encontra a Suíça – de outras partes do mundo é a grande diversidade dentro de uma área geográfica relativamente pequena. Onze países fazem parte dela. Várias línguas, diversidade de culturas formam esse bloco. Uma natureza única em cada parte: praias do Atlântico, rios, rochedos, fazendas produtivas, terrenos com muito material orgânico, densas florestas, cadeias de montanhas e pradarias. A paisagem variada desempenhou um papel fundamental nos acontecimentos históricos dessa parte da Europa, que iniciaram na pré-história. Sua população preserva os valores mantidos, com muito carinho, a beleza das paisagens, as diferenças regionais e os costumes locais. Finalmente, as individualidades e as excentricidades são atitudes que exigem equilíbrio, para avançar em um mundo cada vez mais globalizado.

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