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Opinião

O ritmo avassalador do tempo e da transformação humana

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Beto Bordin
Por Carlos Alberto Bordin - Beto Bordin - Formado em História com pós graduação em Ciências Sociais e Gerente de Cidades
Foto Beto Bordin

Ter pouco mais de cinquenta anos hoje significa algo singular: significa ter vivido, dentro de uma única existência, a travessia entre várias Eras da história humana. Não fomos apenas espectadores da passagem do tempo; fomos testemunhas e participantes de uma das transformações mais avassaladoras que a humanidade já experimentou.

Quem guardou na memória o ritmo cadenciado dos dedos sobre o teclado de uma máquina de datilografar Remington — onde a precisão era exigência para não trancar as hastes das letras — hoje carrega no bolso um telefone que reúne o mundo. Vimos o disquete dar lugar ao CD, que cedeu espaço ao pen drive, até que tudo se evaporasse na imaterialidade da nuvem. Gravamos seleções musicais em fitas cassete com a paciência dos artesãos e filmamos os grandes momentos da família em fitas VHS, onde a presença do cinegrafista era quase um ritual obrigatório em aniversários e casamentos.

A comunicação também mudou seu pulso. Conhecemos a calma de discar em telefones de disco, a expectativa de encontrar a linha desocupada e a utilidade democrática dos orelhões nas esquinas. Hoje, a instantaneidade encurtou as distâncias, mas nos desafiou a lidar com um tempo que já não sabe esperar.

Na paisagem das estradas, a mudança foi igualmente profunda. Vimos a força das carretas de boi, as charretes e os cavalos encurtando caminhos no interior darem lugar aos caminhões gigantes, aos ônibus de alta tecnologia e aos veículos silenciosos movidos a energia elétrica. O progresso acelerou a marcha do transporte e da produção.

Contudo, caminhar pelo tempo é também aprender a conviver com a finitude e com a dor. Acompanhamos pela televisão a perplexidade de eventos que chocaram o planeta, como o 11 de Setembro, e atravessamos a experiência incerta de uma pandemia global. Sentimos na pele as marcas das grandes catástrofes climáticas — das secas severas que castigaram o campo ao impacto devastador das enchentes no Rio Grande do Sul e em outros cantos do país.

E, acima de tudo, vimos partir gigantes. Assistimos à despedida de líderes mundiais como a Rainha Elizabeth II e o Papa João Paulo II, de ídolos do esporte como Ayrton Senna e Pelé, de mestres da comunicação como Silvio Santos, e de vozes que embalaram gerações, como Raul Seixas, Tim Maia e Franck Sinatra. Viagens sem volta que nos lembram, com sobriedade, da nossa própria transitoriedade e da partida das pessoas que amamos.

Apesar das perdas de familiares e amigos, de muitas alegrias e das dores, a grande lição dessa trajetória é clara: a vida continua. A inovação avança em um ritmo vertiginoso, e o amanhã nos exige atenção, curiosidade e capacidade de adaptação. Ter a bagagem de quem viveu todas essas transformações não é um convite ao saudosismo, mas o alicerce perfeito para compreender o presente e caminhar com sabedoria rumo ao futuro.

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