Toda hora tem uma nova língua surgindo, mostrando a necessidade infinita de nos mantermos atualizados... Caso contrário perdemos o entendimento do consumo, dos comportamentos, das tendências, do momento, do mundo e seus acontecimentos…
Confesso que apanho… e nos últimos meses, tenho aprendido forçadamente mais uma penca de “modinhas linguísticas”…
Não tem um curso específico de idiomas pra isto... É com a galera mais jovem das empresas que assessoro minha fonte…
Entre reuniões, vou descobrindo que hoje já não basta entender WCM, EVA, ROIC, EESG, IA ou outras siglas corporativas...
É preciso também entender o significado de “farmar aura”, “cringe”, “rizz”, “NPC”, “W”, “L”, “cook”, “brainrot”…e tantas outras expressões que surgem quase diariamente…
No início, parecem apenas um conjunto de gírias…
Depois percebi que, por trás delas, existe uma forma diferente de interpretar comportamentos… sem entrar no mérito das suas respectivas razões e contextos…
Quando alguém diz (por exemplo) que alguém ou um líder “farmou aura”, não está falando de marketing pessoal. Está dizendo que ele conquistou respeito pela forma como agiu…
Quando uma decisão é considerada “cringe”, talvez o problema não seja a idade da ideia, mas o fato de ela estar completamente desconectada da realidade das pessoas…
Um profissional com “rizz” não é necessariamente o mais eloquente…
É aquele que cria conexões genuínas, influencia naturalmente e gera confiança…
Dizer que alguém virou um “NPC” é uma crítica dura ao profissional que apenas executa tarefas, sem pensar, sem propor e sem assumir protagonismo…
“Cook” talvez seja uma das minhas favoritas. “Deixa ele cozinhar…” significa dar espaço para que uma ideia amadureça antes de julgá-la… afinal quantas boas iniciativas são interrompidas cedo demais nas empresas…
“Brainrot” lembra o perigo do excesso de informação superficial. Empresas também sofrem disso: muita notícia, muita reunião, muito conteúdo… e pouca reflexão…
A turma fala em “W” para celebrar uma vitória e “L” para reconhecer uma derrota… uma linguagem extremamente simples para algo que muitas organizações insistem em complicar: aprender rapidamente com os acertos e, principalmente, com os erros…
No fundo, essas expressões não representam apenas uma moda…
Elas refletem valores de uma geração que valoriza autenticidade, velocidade, impacto, conexão e coerência entre discurso e prática…
Como consultor e conselheiro, acredito que uma das competências mais importantes da liderança é manter a curiosidade…
Não precisamos adotar todas as gírias nem tentar parecer mais jovens do que somos… Mas precisamos entender como as novas gerações enxergam o mundo…
Liderar nunca foi apenas ensinar…
Também é aprender…
E, confesso, descobrir que alguém “farmou aura” pode explicar um comportamento muito melhor do que vários relatórios de clima organizacional…