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Saúde

O ciclo do mosquito e os desafios no combate à dengue

A população de Aedes aegypti cresce no verão, tornando a prevenção e o controle de criadouros essenciais para evitar surtos da doença

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Quando o mosquito pica uma pessoa infectada, o vírus fica incubado por cerca de 10 dias antes de com
Por Marcelo V. Chinazzo
Foto Divulgação

No inverno, a população de mosquitos diminui significativamente devido ao desenvolvimento mais lento das larvas, que acabam crescendo de forma muito gradual. Já no verão, o calor acelera o processo, fazendo com que a larva passe rapidamente por suas quatro fases de desenvolvimento: ovo, larva, pupa e mosquito alado, tornando a população de mosquitos muito maior.

Circulação viral

O mosquito não é a causa direta das doenças, mas sim um vetor de transmissão. Ele se contamina ao picar uma pessoa já infectada e, após esse contato, passa a transmitir a doença para outros indivíduos. Em regiões mais quentes, a dengue pode ocorrer durante o ano inteiro e as pessoas circulam entre diferentes áreas, o que facilita a disseminação da doença. A presença de uma grande população de mosquitos e a circulação do vírus são, portanto, os principais fatores que aumentam os riscos de transmissão.

O mosquito

O mosquito da dengue possui uma vida útil de cerca de 30 dias. O macho, que não pica, se alimenta apenas de seiva. Já a fêmea precisa do sangue para obter proteínas e produzir ovos. A picada ocorre durante o dia, pois o Aedes tem hábitos diurnos. Importante destacar que o mosquito transmite o vírus enquanto ainda está vivo, picando múltiplas vezes e podendo infectar várias pessoas em um curto período. Além disso, ele é rápido e é difícil de detectar a picada, o que dificulta sua eliminação.

Tipos de dengue

Existem quatro tipos de vírus da dengue: DENV-1, DENV-2, DENV-3 e DENV-4. Em Erechim, até 2023, apenas o tipo 1 havia sido confirmado, mas em 2024, começaram a ser registrados casos do tipo 2. Quem contraiu a DENV-1 fica imune a esse tipo, mas pode ser infectado pelos outros. Por isso, quando uma pessoa é acometida por dengue mais de uma vez, os sintomas tendem a ser mais graves.

Dengue hemorrágica

Atualmente, o termo "dengue hemorrágica" foi substituído por "dengue grave", como explica Maiara Hartmann, chefe do setor de Vigilância Ambiental de Erechim. “Em Erechim, no ano passado, tivemos quatro óbitos, nenhum deles por dengue hemorrágica. Todas as pessoas tinham comorbidades e, devido à desidratação, acabaram falecendo. Portanto, o termo “dengue hemorrágica” não é mais usado, pois a morte pode ocorrer por outros fatores relacionados à doença”, detalha Maiara.

Números da dengue em Erechim

Em 2021, Erechim enfrentou o maior número de casos, com 2.612 registros positivos e três óbitos. No ano seguinte, 2022, a cidade teve uma queda significativa, com 529 casos e um óbito. Em 2023, o número de casos continuou a cair, com 56 positivos e nenhum óbito. No entanto, em 2024, a cidade registrou um aumento expressivo, com 853 casos e quatro mortes.

Trabalho dos agentes de endemias

A Vigilância Ambiental tem desenvolvido um trabalho intenso para reduzir o número de casos de dengue, com ações como o recolhimento de lixo, conscientização da população e inspeções diárias dos agentes de combate a endemias. Maiara afirma que em 2025, os programas de combate à dengue serão mantidos. “O principal é evitar que o mosquito nasça. Precisamos eliminar água parada para impedir que as larvas se desenvolvam e se tornem mosquitos adultos. Sem mosquito e sem vírus circulando, não teremos casos", explica ela. Em Erechim, existem cerca de 40 agentes de combate a endemias para uma população de 105 mil habitantes, sendo essencial o trabalho em colaboração com a comunidade.

Prevenção

Além de eliminar a água parada, outra medida de prevenção é o uso constante de repelente, especialmente em pessoas que já foram diagnosticadas com dengue, para evitar que o mosquito espalhe a doença para outras. Também é importante manter as caixas d’água fechadas e usar cloro para evitar o acúmulo de ovos do mosquito. Maiara destaca a necessidade de esfregar bem as bordas da caixa d'água ao limpá-la, pois os ovos podem sobreviver por até 450 dias sem água, e eclodirem assim que entrarem em contato com ela. "Infelizmente, muitas pessoas ainda não têm consciência da gravidade da situação, mas a dengue mata", alerta Maiara.

Por isso, a prevenção é fundamental. Eliminar criadouros do mosquito em casa e buscar orientação médica ao identificar os primeiros sintomas da doença são atitudes essenciais para evitar complicações graves, como a desidratação.

 

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