Com a chegada do inverno, oficialmente no dia de ontem, 21, vários problemas chegam junto na bagagem, que não são poucos e que, geralmente, desembocam em algum lugar, a exemplo das doenças respiratória que acabam se tornando grandes os casos e chegam até a Fundação Hospitalar Santa Terezinha. Casa de saúde referência na região, acaba sofrendo com a atual situação.
As temperaturas mais baixas favorecem a disseminação dos vírus causadores de infecções como gripe, resfriado e a própria covid-19, que ainda não está totalmente controlada. Além dessas, doenças como sinusite, rinite e crises de asma e bronquite aumentam consideravelmente. A transmissão dessas doenças ocorre muito por conta do confinamento e permanência em espaços fechados e com pouca ventilação, o que facilita a circulação de microrganismos, principalmente vírus respiratórios.
De acordo com o Diretor Executivo Jackson Arpini, o hospital vem monitorando todas as suas portas de entrada para verificar o impacto nas ações e serviços de saúde pelo aumento da demanda que, via de regra, acontece neste período do ano.
“Podemos perceber por indicadores oficiais um aumento mais acentuado nos serviços de urgência e emergência e nas internações, fato que pode ser elucidado pelos nossos gráficos” pontua.
Outras enfermidades
Arpini garante que desde janeiro até a presente data o Pronto Socorro vem acolhendo um número maior de usuários que procuram os serviços da unidade hospitalar, muitos deles pelas doenças da sazonalidade do período, “mas também não podemos retirar destes números expressivos as outras enfermidades que acessam o pronto atendimento pela caracterização de urgência e emergência, como os traumas e outras situações que colocam o paciente em risco de vida”.
No sentido de minimizar a demanda excessiva que estão ocorrendo na maioria das instituições hospitalares, a Fundação Hospitalar reforçou seus serviços de pronto atendimento, com mais profissionais (médicos, equipe de enfermagem e de apoio), para tentar amenizar a demanda excessiva.
266 atendimentos por dia
Falando em números, Arpini lembra que em janeiro o Pronto Atendimento realizou 6.045 atendimentos e em maio 7.979, com um aumento de 1.934 atendimentos, o que dá um média de 266 atendimentos/dia e as linhas continuam ascendentes.
“Também estamos verificando uma demanda acentuada por leitos de terapia intensiva, às vezes e por força das circunstâncias, acima da capacidade operacional da Casa de Saúde/SUS. Atualmente os 30 leitos de UTI estão quase em ocupação máxima, sendo 20 pacientes em UTI Adulto e 08 em UTI Neonatal”, aponta.
Internação
Outro fato que chama a atenção para o período, é que no mês de maio até a presente data foram verificados que em todos os dias há necessidade de internação de novos pacientes, de 4 a 9 usuários, mas em virtude de estar completamente lotado, alguns pacientes aguardam na sala de observação do Pronto Socorro, aguardando a liberação de leito clínico para internação.
“Até presente momento nenhum serviço foi cancelado e estamos tentando atuar de forma preventiva, com algumas ações administrativas e assistenciais para fazer frente à demanda crescente”, garante.
Unidades Básicas
Quando se fala em recomendações indicadas para as pessoas com sintomas gripais, e que precisam de atendimento do SUS, Arpini ressalta que é importante destacar que o serviço de Pronto Atendimento a nível hospitalar é para casos de urgência e emergência, neste sentido os pacientes com sintomas brandos devem procurar a rede básica de saúde.
“Erechim possui uma ótima rede primária, com unidades básicas de referência nos bairros da cidade que podem acolher os pacientes com sintomas iniciais, deixando para o Pronto Socorro para os casos de maior gravidade e que necessitam também dos serviços de apoio da instituição de saúde como serviços de imagem, laboratoriais, internações e outros”, acrescenta.
Pronto Socorro
O Diretor Executivo aponta ainda que, quando o PS recebe demanda excessiva, fato que vem ocorrendo nos dias atuais, é natural que ocorra um retardo nos atendimentos eletivos, considerando que o objetivo primordial dos serviços desta natureza são os casos que requerem uma atenção maior, os casos considerados de urgência e emergência.
“Se houver necessidade de referenciamento em decorrência da gravidade da situação a unidade básica de saúde pode fazer o encaminhamento do usuário para o Pronto Socorro, que está disponível 24 horas dia”, garante.
Períodos delicados
“Estamos atravessando um período delicado em virtude das temperaturas baixas, doenças clássicas do período e também pelo crescimento da população que busca os serviços públicos de saúde. Neste período de maior complexidade que vem atingindo o conjunto dos hospitais do Estado, especialmente os serviços de porta de entrada, todas as ações que visem reduzir a sobrecarga devem ser avaliadas e adotadas, para que possamos dar continuidade na missão de acolher os pacientes”, finaliza.