Pensando em suas ações com relação a sua interferência no planeta terra, principalmente quando falamos em mudança do habitat, o ser humano, ser pensante e maior ator nas mudanças climáticas e ambientais, comemorou, nesta segunda, 05, o Dia Mundial do Meio Ambiente.
A cada ano é colocado um tema específico que serve como foco central para as atividades e iniciativas realizadas no mundo todo. Em 2023 se concentra em soluções para a poluição plástica.
A data foi escolhida em 1972 pela Assembléia Geral da ONU, em homenagem ao dia da abertura da Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Humano, que aconteceu em Estocolmo e teve como um dos principais avanços a criação do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente).
Rio Tigre
Em Erechim também são realizadas várias ações pela Secretaria Municipal do Meio Ambiente, mas para falar sobre a data e focar em um problema que é visto a olho nú, e que precisa da atenção de todos, focamos na atual realidade do Rio Tigre, local onde em um tempo não muito distante, moradores abasteciam-se com peixes e tomavam banho com suas famílias. A cidade cresceu, o lixo aumentou, o desrespeito com o mesmo ganhou força e a situação se agravou. Hoje o Rio Tigre pede socorro.
Mas, para que possamos entender a atual situação, procuramos o secretário do Meio Ambiente Cristiano Moreira, momento em que pontuou que o Rio Tigre deve ser compreendido dentro de um contexto histórico de cidade, como também devemos analisar a falta de uma estrutura com relação ao saneamento.
Colonização
A colonização aconteceu em torno dos rios e dos cursos da água, isso quer dizer pessoas convivendo com o ambiente e, por consequência, interferindo no mesmo. Uma realidade visível no mundo todo. O progresso veio acelerado e com ele as diferentes interferências que mudaram a situação ao longo dos anos, de acordo com o plano de bacias realizado pelo Apuaê Inhandava.
Hoje, nos diversos riachos urbanos, devido a falta de saneamento, qualquer ação teria um custo bastante elevado, pois há um comprometimento de todos os rios. Uma realidade que é vista em todo o Brasil, e nós não somos diferentes.
O Rio Tigre, garante Cristiano que, devido a ocupação humana que não soube conviver em harmonia com o meio ambiente e a questão do saneamento encontra-se na mesma situação. “Aí a gente se pergunta, como pode ter lixo, sendo que existe uma série de drenagens que os levam até lá, em uma cidade que tem coleta de lixo seis vezes por semana. Um momento de nós, como sociedade, nos perguntarmos sobre isso”.
Caminho do lixo
O lixo que é visto no Rio Tigre começa a percorrer o seu caminho na região central, ou seja, perto da Sponchiado Veículos e após na região do bairro São Cristóvão. “Mas o aspecto que mais chama nossa atenção é o visual na drenagem do Rio Tigre. Quando falamos do aspecto estrutural, nos referimos a falta de saneamento”.
“Infelizmente a CORSAN possui uma dívida com a cidade de Erechim, pois surgiram promessas ao longo dos anos que nunca se concretizaram. O saneamento do esgoto resolveria uma grande parte do problema, após seria necessário um trabalho conjunto com toda a sociedade para educar a destinação correta do lixo, seriam dois ciclos a serem trabalhados na recuperação do Rio Tigre”, garante.
Cristiano lembrou que há seis anos o município está num embate com a CORSAN para que Erechim tenha o direito de escolher uma concessionária de água e esgoto que proporcionaria uma nova realidade entre oito a dez anos.
“O Rio Tigre tem estes dois problemas estruturais, a ocupação que podemos resolver em parte, e o saneamento que resolveríamos em torno de 95% o problema”.
Ações paliativas
No que se refere a retirada de entulhos junto ao rio, Cristiano ressalta que este trabalho é realizado, mesmo sendo uma ação paliativa. “Erechim é considerada uma cidade limpa e a Eloverde fazia este trabalho, e muito bom, com relação a limpeza dos rios e a educação ambiental, mas não resolveu. As várias ações realizadas pela ONG teriam que ter obtido resultados significativos. Não se resolve definitivamente porque não se mexe no comportamento das pessoas e nem nos problemas estruturais”
A ações, pontua, mudaram o perfil de muitas pessoas, principalmente das crianças, mas estruturalmente não houveram mudanças. Hoje, de acordo com estudos, o Rio Tigre deveria receber oito vezes a sua capacidade de água para diluir a carga orgânica que é jogada junto ao mesmo.
Realidade visível
A realidade visível que é vista nos bairros Progresso e Cristo Rei não é vista em toda a sua extensão, pois nestes bairros existe uma calha aberta do rio. A pessoa que jogou o lixo no chão no bairro São Cristóvão acaba repercutindo no progresso, pois é levado pela canalização. Um lixo que vai passar pelo Longines e vai acabar indo para o leito aberto. O problema do Rio Tigre, na atual situação em que ele se encontra, é de todos nós, lamenta.