O clima da região Sul do Brasil vem oscilando muito nos últimos anos. O frio e calor intenso em períodos atípicos tem prejudicado o cotidiano de toda a população e, principalmente, o ciclo de bons resultados no ramo agrícola. Não é exagero falar que todas as atividades necessitam de água para continuar existindo e movimentando a economia do país.
Em 2021, agricultores da região do Alto Uruguai gaúcho, enfrentaram muitas dificuldades, em função da estiagem. Naquele período as chuvas estavam escassas, junto com a esperança de um futuro melhor. Muitos precisaram encerrar por completo seu trabalho, porém, alguns encontraram uma luz no fim do túnel.
No meio urbano não foi diferente. Práticas simples como lavagem de calçadas, veículos, jardins, gramas e até mesmo na construção civil, necessitaram de adaptações ou um período de pausa, em função da escassez da água.
Uma medida socioambiental que existe há alguns anos, mas era pouco comentada e desfrutada, são as cisternas, um reservatório que tem como função fazer a captação e armazenamento da água, para conservá-la. Podem ser armazenadas águas da chuva, potável ou de reuso.
Barra do Rio Azul
Uma pequena parte dos empreendedores rurais, já possuía o recurso em suas propriedades, e descobriram quão útil o investimento foi, nesse período de crise. Em Barra do Rio Azul, na comunidade de Jubaré, a família Faenello vivenciou essa experiência e graças a construção do reservatório, conseguiram dar a volta por cima. “Éramos sabedores da importância de poder armazenar a água da chuva. Com essa tecnologia, que na minha opinião é mais viável que um poço artesiano, concretizamos nosso plano”, revela o agricultor, Gleison.
Na propriedade da família barrazulense, que trabalha com pecuária leiteira, são utilizados ente a família e o consumo dos animais, cerca de 14 mil litros de água por dia, demanda que se tornaria inviável até economicamente, sem a cisterna. “Em 2019, precisávamos de dois caminhões de água por semana. Se chover 30 milímetros, que equivalem a 30 litros de água por metro quadrado, todo esse volume é armazenado na cisterna. Para obter essa quantidade se não tivéssemos o recurso, necessitaríamos de três caminhões”, explica o jovem.
Gleison conta que sem a cisterna, a atividade não teria sobrevivido. “Não teríamos água para abastecer toda a nossa demanda. Hoje contamos com um sistema de resfriamento das vacas, que resulta em um aumento da produção e com a segurança das reservas, podemos adquirir ainda mais animais”, salienta.
O prefeito de Barra do Rio Azul, Marcelo Arruda, destaca que a família é exemplo no município pela iniciativa, e que o Executivo busca auxiliar medidas como essa. “Sempre apontamos que é importante não somente reagir quando a seca chega. Essa família desde 2020 se preparou, investiu com recursos próprios e a prefeitura auxiliou com as máquinas, viabilizando a terraplanagem necessária para execução dessa obra. Hoje eles têm mais de um milhão e duzentos mil litros de água acumulada, que faz com que enfrentem períodos difíceis de estiagem com mais tranquilidade. Nessa propriedade foi construído um pavilhão de mil metros quadrados, para confinamento de gado, e cada milímetro que chove são mil litros de água que vão para a cisterna”, ressalta Arruda.
Três Arroios
No município de Três Arroios, a medida socioambiental das cisternas, tem obtido grande adesão também no meio urbano. Além de munícipes que já implementaram a ideia em suas casas, a Administração também criou uma iniciativa inovadora, instalando o sistema de captação e armazenamento de água da chuva na Praça Augusto Kops, Casa de Cultura e Secretaria de Saúde.
“O Poder Público precisa ser exemplo. Se estimulamos o armazenamento e reuso da água nas residências e atividades agrícolas, é nosso dever também aderir essa atitude. Possuímos um Projeto de Paisagismo e ajardinamento de Canteiros Públicos e poder contar com a água da chuva para regar nossas plantas vai muito além de uma atitude consciente, é uma ação de educação ambiental, de exemplo a ser copiado e a demonstração que atitudes simples podem sim fazer muita diferença”, destaca a Coordenadora da Secretaria de Meio Ambiente do município, Nádia Varotto.
O reservatório da praça possui 10.000 litros e um sistema de filtro com aplicação de cloro e tela interna, para evitar a proliferação do mosquito da dengue. O Fundo do Meio Ambiente e demais recursos, contribuem para que iniciativas como essa sejam realizadas. Os prédios e locais públicos servem de modelo para que a população se inspire e adote a ideia.
Outra questão que acaba motivando os tresarroienses, é o desconto aplicado no IPTU, a que fizer a instalação de cisternas em sua residência, desde que estas sejam aferidas pela Vigilância Sanitária e tenham todas as medidas de prevenção contra insetos - mosquito da dengue e demais. As que forem certificadas como seguras poderão receber o desconto como forma de incentivo. Os interessados devem procurar a Secretaria de Meio Ambiente do município para fazer seu cadastro e receber orientações.
Centenário
Em Centenário, pensando nas dificuldades enfrentadas com a falta de água pelo público do meio rural, principalmente com relação a criação de animais, o Governo Municipal criou um programa que incentiva a construção de cisternas, voltada em um primeiro momento à avicultura de corte. O propósito do projeto é promover a conservação e o uso racional da água, qualidade ambiental, manejo adequado e crescente do volume das águas pluviais, além de estimular o reuso.
O prefeito Genoir Marcos Florek conta que tudo começou por meio de uma busca pela recuperação de fontes. “Realizamos todos os processos necessários, incluindo a colocação de um tubo para armazenamento da água, para que quando chovesse a fonte pudesse voltar a verter. O segundo é a abertura do credenciamento deste novo programa para aviários. Conseguimos uma emenda de 150 mil reais, e será adicionado mais 100 mil de recursos próprios, para a distribuição de 10 cisternas no município, para que os produtores drenem água dessas fontes que foram recuperadas e também dos telhados. Desta forma, eles vão encontrar uma maneira de encher as cisternas, garantindo água aos animais. Esse é o intuito da nossa campanha”, pontua Neninho.