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Economia

Alto Uruguai: prejuízos se multiplicam com seca

Erechim as perdas ultrapassam R$ 24 milhões, em Barra do Rio Azul R$ 20 milhões e Aratiba R$ 60 milhões. Se não normalizar as chuvas até dia 10 de janeiro região deve viver a pior estiagem dos últimos 30 anos

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Por Ígor Dalla Rosa Müller regiao@jornalbomdia.com.br
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Um atrás do outro, Ponte Preta, Barra do Rio Azul, Aratiba, já decretaram situação de emergência, e mais municípios do Alto Uruguai, como Marcelino Ramos, estão contabilizando os estragos em função da grave seca que atinge a região. Os prejuízos se multiplicam a cada dia que não chove, gerando quebra na produção de grãos, leite, suinocultura, avicultura, secando poços, açudes e córregos. A situação é desesperadora no campo e as perspectivas de chuva pouco satisfatórias. Em Erechim, município que também deve decretar Situação de Emergência Agrícola as perdas ultrapassam R$ 24 milhões, em Barra do Rio Azul R$ 20 milhões e Aratiba R$ 60 milhões.   

Perdas aumentam diariamente

“A situação climática não é favorável e, hoje, temos perdas no milho acima de 50% na região, em lavouras de soja deve estar chegando a 15%. E se não ocorrerem chuvas normais neste fim de semana, todas essas perdas irão ampliar. E, além disso, está tendo perdas no leite, porque não tem mais pastagens nativas ou plantadas. Está tudo seco e faltando água para os animais, secando fontes, nascentes e poços artesianos”, afirma o engenheiro agrônomo, Luiz Ângelo Poletto, assistente técnico regional em Sistemas de Produção Vegetal da Emater/Ascar.

Sol forte

Ele explica que, dia a dia, a insolação que está ocorrendo é muito forte e não via uma situação como essa, a forma como está secando as lavouras há muito tempo, associado ao fato de que desde o dia 25 de novembro não chove e a temperatura está variando, diariamente, de 17 graus para mais de 37 graus centígrados. “E se colocar o termômetro no sol passa disso”, observa.

Pior estiagem 

“Se não normalizar o tempo até o dia 10 de janeiro, desde que sou agrônomo há 30 anos, vamos viver a pior estiagem da região”, comenta. Todos esses problemas, observa Poletto, fazem pensar e se começa a questionar porque está tão seco e faltando água deste jeito. “Então, além do La Nina há outros fatores influenciando, que é preciso investigar e pesquisar o porquê desta situação, já que é muita estiagem nos últimos anos”, ressalta.

Milho

Do jeito que está, com a quebra no milho acima de 50% mais de 24 mil hectares de milho-grão já estão comprometidos de um total de 48.700 hectares plantados no Alto Uruguai, e mais de 7 mil hectares de milho-silagem, dos 15.840 hectares cultivados nesta safra. O mais triste é que o produtor apostou no milho e, neste ano, houve aumento de 2 mil hectares na área cultivada em relação à safra anterior.

E, se as perdas já são estimadas em 15% nas lavouras de soja na região, mais de 35 mil hectares da cultura já foram perdidos para a seca, já que a região plantou cerca de 234.300 hectares.

Marcelino Ramos

Conforme a administração de Marcelino Ramos, neste momento, Defesa Civil, Emater e prefeitura, já constataram que é preciso decretar a situação de emergência, já que são muitas lavouras, sangas, córregos d´água que estão secos. E, enquanto o decreto não sai, a prefeitura está se preparando para levar água em caminhões aos produtores.

Erechim

A Secretaria de Agricultura, Abastecimento e Segurança Alimentar, juntamente com a Emater/RS-Ascar, estimam prejuízos acima de 40% na produção de milho, 10% na produção de soja e 15% na produção leiteira. Quando houver a conclusão do levantamento dos números, o município deve decretar Situação de Emergência Agrícola.

Chuvas

O escritório municipal da Emater, de Erechim, mostra que no mês de novembro choveu 86 milímetros e em dezembro foram 25 milímetros. A estimativa é que no ano de 2021 foram 440 milímetros de déficit hídrico comparado com as médias dos últimos anos.

Economizar água

A Defesa Civil de Erechim faz alerta sobre o desperdício de água e elenca alguns pontos que podem ser observados nesse momento pela população, como cronometrar o banho, desligar a torneira para escovar os dentes, ensaboar todas louças de uma vez só, limitar o uso da máquina de lavar, reaproveitar a água da máquina de lavar, não lavar calçadas e veículos, implementar a descarga com válvula de duplo acionamento, verificar e corrigir vazamentos e fechar bem as torneiras. 

Segundo o coordenador da Defesa Civil, Ronaldo Manica, a população precisa se comprometer, neste momento, para evitar qualquer gasto desnecessário de água, já que o intenso calor e a estiagem podem levar a uma situação ainda mais crítica, já que é com as pequenas ações do dia-dia que se vai evitar racionamentos ou uma situação “mais delicada”.

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