Com o objetivo de fornecer aos clientes produtos mais saudáveis e de qualidade, o erechinense decidiu produzir alimentos orgânicos. Ele trabalha com assistência técnica e consultoria para agricultores na área de hortifrutigranjeiros há três décadas.
Variedades
Atualmente, está na propriedade rural que tem a marca Orgânicos da Terra e produz vários alimentos em uma área de 30 mil metros quadrados. “Alguns produtos no inverno estão sendo colhidos agora, como ervilhas, laranja de umbigo, laranja valência (suco), bergamota ponkan, bergamota montenegrina, aipim, alfaces, couve flor, brócolis”, destaca.
Conforme Maloz, os produtos que estão sendo plantados agora são de cultivo de verão, que irá começar a colheita em outubro, como: pepinos para conserva, pepinos salada, melão, melancia, milho verde, tomates, pimentões, alfaces, brócolis e couve flor.
Certificação
Para se diferenciar no mercado, também produz temperos e chás. Todos os produtos são orgânicos, sem o uso de agrotóxicos e adubos químicos. Uma certificadora faz vistorias periódicas à propriedade. A certificação é feita por meio de uma associação da região no município de Três Arroios - Associação Regional de Cooperação e Agroecologia (ECOTERRA). Além do técnico em agropecuária, outros dois colaboradores que residem próximo ao local cultivam os produtos.
90 produtos
Os produtos são vendidos em Erechim por meio de delivery. Há seis meses, são realizadas entregas nas terças e sextas-feiras. “Os clientes fazem seus pedidos no dia anterior por Whatsapp ou Instagram. No delivery estão à disposição cerca de 90 produtos”.
Os produtos que não vêm da propriedade são adquiridos na associação ECOTERRA dos outros produtores da região. Além disso, são entregues na associação que comercializa os produtos nos municípios do Alto Uruguai e também em Passo Fundo, Florianópolis, Curitiba e São Paulo.
Qualidade de vida
O biólogo explica que a iniciativa de produzir alimentos orgânicos surgiu pela melhor qualidade de vida de quem os produz e consome, por não entrar em contato com agrotóxicos e adubos químicos, fornecendo aos clientes produtos mais saudáveis. “Decidimos produzir em Marcelino Ramos devido ao microclima que possui aquela região, por estar próximo ao lago da hidroelétrica. Nas proximidades é muito difícil dar geada e tem em média uma temperatura de 4 a 5°C mais quente que Erechim”, explica.
Assistência
O Centro de Tecnologias Alternativas Populares (CETAP) é uma organização sem fins lucrativos, que trabalha pela defesa e garantia de direitos, formação, capacitação e promoção da cidadania. Segundo o assessor técnico, Giovani José Gonçalves, o acompanhamento é realizado levando em consideração o potencial de cada família, a mão de obra e as características. “Com essas informações, fazemos um planejamento conforme as demandas dos alimentos que a ECOTERRA dispõe em sua dinâmica de comercialização”, afirma.
Após, é realizado um diálogo entre a assistência técnica e a família com o objetivo de entender qual é a cultura que os envolvidos têm mais aptidão para produzir, as condições da unidade de produção, e ainda organizar a certificação. De acordo com o assessor técnico, o Centro tem um tempo previsto por lei a ser cumprido durante a transição para a certificação. A partir da manifestação dos produtores, é feito um mapeamento das condições e encaminhado todo o processo para a certificação. Logo, estando dentro das normas de produção exigidas, é permitida a comercialização dos produtos como sendo orgânicos.
Municípios
A Associação ECOTERRA trabalha com 20 municípios da região do Alto Uruguai e alguns municípios da região Altos da Serra, sendo eles Aratiba, Barra do Rio Azul, Campinas do Sul, Concordia, Cruzaltense, Barão de Cotegipe, Entre Rios, Erval Grande, Ibiraiaras, Sananduva, Itatiba do Sul, Paulo Bento, Três Arroios, Águas Frias, Peritiba, Mariano Moro, Gaurama, Bandeirante, Severiano de Almeida e Erechim.
140 famílias
De acordo com o assessor técnico da CETAP, Albenir Concolatto, no total são mais de 140 famílias com produção diversificada e todas com certificação de produção orgânica. As famílias fazem parte do Núcleo Alto Uruguai da Rede Ecovida de Agroecologia.
Projeções
Como a demanda dos produtos orgânicos está cada vez maior, a propriedade deve aumentar a área de produção. “Vamos passar de 30 mil metros quadrados para cerca de 80 mil metros quadrados nos próximos dois anos”, projeta Cassandro Maloz.