Inspiradas no pai, as duas filhas, juntamente com os genros e o neto, se uniram para concretizar um sonho antigo da família. O primeiro passo foi dado em 2017, com a aquisição de um mercado que leva o nome de Cabritinho, localizado na saída do município de Barra do Rio Azul para Erechim, no Alto Uruguai Gaúcho.
Quatro décadas
Há 40 anos, Nelson ajuda na fabricação de salames e embutidos no interior do Rio Grande do Sul. Faz 90 dias que o plano saiu do papel, com a construção da primeira agroindústria familiar de origem animal na cidade. “Sempre que procuramos a prefeitura, tivemos apoio. Onde visitamos, sempre fomos bem atendidos e recebidos com mensagens positivas”, afirma o proprietário da Agroindústria Familiar Coloniale, Nelson Vanso.
Qualidade do produto
Já em funcionamento, distribui seus produtos para cinco municípios do Alto Uruguai. “Buscou-se através do nome, demonstrar um produtor colonial de qualidade e origem italiana. Nosso consumidor opta mais pela qualidade do produto”, explica o Neto do Nelson, Lucas De Valle.
Necessidade familiar
A fábrica foi uma necessidade da família e começou a ser construída em setembro de 2020, em um local já adquirido há 3 anos na área rural de Barra do Rio Azul, 1km distante do centro. Uma das filhas do Nelson, Viviane Stadtlober, que morava em Erechim e retornou para Barra do Rio Azul, conta que tudo aconteceu depois da família dela morar mais perto da cidade, devido o propósito de trazer o pai para perto.
Produção
São produzidos em torno de 250 kg de salame e 20 quilos de torresmo por semana. Além disso, dispõem de copa, banha e cortes de carne. Na sala da produção está a massa do tempero, pesando em torno de 100kg e armazenada em uma temperatura que varia entre 11 e 15°C. Esta, segue para o embutidor de salame e após para defumação. Depois deste processo para a sala de secagem, os produtos ficam armazenados em torno de 10 dias, para finalmente ir para à mesa dos consumidores.
Investimento
A instalação da agroindústria conta com uma área de 70m², sendo 111m² de construção. Entre máquinas e estrutura, a família precisou desembolsar em torno de R$180 mil. “Este não é um sonho apenas da família, como também da Emater e administração municipal. Temos o terceiro maior produtor de suínos do Alto Uruguai e somos o 32° produtor de suínos do RS”, ressalta o Chefe Esc. Mun. Emater Barra do Rio Azul, Jair Zorzanello.
Estudo do mercado
Antes da realização do projeto, a família, juntamente com a Emater, visitou agroindústrias na região. A Extensionista Rural da Emater, Léia Hausen, foi uma das responsáveis por incentivar a escolha da localização e o estudo do mercado de embutidos. “Temos uma agroindústria familiar de panificação na cidade e queremos expandir para novas construções de origem vegetal, como exemplo de cana de açúcar”, projeta.
Incentivos
Para viabilizar o negócio, a Prefeitura de Barra do Rio Azul oportunizou a terraplanagem, agilizou as licenças ambientais, deu apoio financeiro por 12 meses, ajudando com o pagamento do médico veterinário e para assessoramento na agroindústria. “Para a administração municipal que está entrando no segundo mandato, é uma alegria. A prefeitura deu todo suporte para implantação do Sistema de Inspeção Municipal (SIM). Acredito que o mais importante nas agroindústrias é a valorização por meio da agricultura, onde a família transforma o produto agregando valor e, principalmente, se mantêm no meio rural, fazendo jus à nossa bandeira” aponta o prefeito de Barra do Rio Azul, Marcelo Arruda.
Realização de um sonho
Ao ver o sonho da família concretizado, Nelson se diz realizado e emocionado ao deixar para as próximas gerações uma marca positiva na profissão que o pai também lhe inspirou. “Meu pai foi açougueiro há muito tempo. Estou fazendo 70 anos de muito esforço e dedicação. Então quero deixar para a ‘piazada’ mais nova seguir com os trabalhos. Amizade e crédito a gente não compra, e sim conquista”, finaliza o proprietário da agroindústria.