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Economia

“Esse foi um dom de Deus, eu acho”

Afirmação é do escultor erechinense, Flávio Moreira Machado, que tem dedicado a sua vida também a escultura

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Cavalo de Troio, obra foi para Itália
Águia
Cabeça de cavalo
Por Ígor Dalla Rosa Müller
Foto Divulgação

Arte é uma manifestação do ser humano e envolve diferentes tipos de expressões tais como a arquitetura, pintura, desenho, música, cinema e escultura. E é, justamente, pela escultura que o professor aposentado e escultor, Flavio Moreira Machado, dá vida às suas obras.

Flávio tem uma escolinha de futebol, e quando não está trabalhando nela, vai para o seu atelier, que fica no ginásio, para pensar e realizar as suas esculturas. Agora, em função da pandemia, está esculpindo em casa. “Divido o meu tempo com a escolinha de futebol e a escultura. Ah, inclusive revelei o Rafael Sobis, que saiu daqui, da minha escolinha”, disse.

Presente de Deus

Segundo ele, saber esculpir é um dom, um presente de Deus, que começou a se manifestar quando era criança, criando os seus desenhos e depois fazendo esculturas. “Esse foi um dom de Deus, eu acho. Desde criança tenho facilidade pra desenhar, fazia os meus brinquedos, e uma tendência de trabalhar com a madeira”, conta.

Flavio conta que sempre foi autodidata e buscou se aperfeiçoar, aprender, procurar novas técnicas para esculpir. Além de manipular a madeira, ele trabalha com pedra e pintura em tela, mas a maioria dos trabalhos são esculturas em madeira.

A sua profissão também colaborou, de certa forma, com o lado criativo e para aperfeiçoar a arte de esculpir, já que ele estudou técnicas industriais, desenho arquitetônico, se tornando professor desta área. “Cada vez mais fui aperfeiçoando esse dom. Fui vice-diretor da Escola Estadual Érico Veríssimo, lecionei no Colégio Mantovani e no antigo industrial”, afirma.

Temas

Flávio comenta que os temas das esculturas são os mais variados, e se for encomendada, vai depender do gosto do cliente. “Mas faço esculturas de animais, pessoas, já fiz vários quadros para jogadores de futebol. Agora, não estou mais retratando a fisionomia das pessoas, mas já fiz do Cristian, Arilson. Os jogadores encomendavam esculturas em entalhe em madeira”, diz.

Tipo de madeira

Normalmente, as esculturas são feitas em pranchas ou troncos de madeira de cedro, o que está cada dia mais difícil de se conseguir. “Consigo essa madeira de árvores mortas da barragem, em Mariano Moro. Lá tem, ainda, alguma coisa. Mas não tem mais troncos com espessura pra fazer as esculturas, e até pranchas estão difíceis de se conseguir”, afirma.

Ele também usa em suas esculturas madeira de cerejeira, mas que também é complicado conseguir. “É muito difícil. Tinha guardado algumas madeiras, porque é preciso de três a quatro anos para ela secar. Geralmente, coleto a madeira que morreu na natureza, nunca fui cortar uma árvore, não gosto disso. Inclusive, tenho uma chácara, perto da Frinape, onde plantei árvores”, comenta.

Ser artista  

“Ser artista na nossa região é superdifícil, porque as pessoas, principalmente na pandemia, estão restringindo os gastos com aquilo que não é essencial. E só investe em arte quem já está estabelecido na vida. Mas, mesmo assim, surge trabalho e a gente vai fazendo”, observa.

O escultor lembra que tem trabalhos que foram para Portugal, Alemanha e Itália. “Não posso divulgar muito, porque esculpir é um trabalho demorado, leva mais de mês para fazer concluir uma obra, dependendo da sua complexidade, e aí não consigo atender a escolinha e a arte como tem que ser”, explica.  

Vendas

Conforme Flávio, ele não sai para vender as suas obras. “Geralmente, sou procurado pela venda boca a boca, alguém que viu uma obra feita e comentou com outra pessoa, e assim realizo as vendas”, diz. Por fim, quando pergunto quantos anos ele tem para colocar e fechar a entrevista, Flávio responde: “artista não tem idade”.

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