Em uma tarde tumultuada com ânimos exaltados, os delegados da Cotrel homologaram em assembleia a autoliquidação da cooperativa e aprovaram os liquidantes e os integrantes do Conselho Fiscal. Com quórum mínimo previsto de 70 delegados de um total de 210, os presentes definiram o rumo da cooperativa na antiga sede da Fundação Cotrel. O presidente da Cotrel Luiz Paraboni Filho e Paulo Durant serão os liquidantes. Já o Conselho Fiscal será composto por Idacir Faccio, Adelar Bizzani, Leonardo da Costa e suplentes Erol Attolini e Ezilio Piran. Com a autoliquidação a cooperativa ganha um tempo para negociar, avaliar, e, principalmente, tentar reduzir a dívida, atualmente estimada em R$ 240 milhões, equivalente a todo o patrimônio da cooperativa.
Segundo o presidente Paraboni, o que aconteceu na tarde de ontem foi uma decisão muito importante. “Daqui para frente é trabalhar. O próximo passo é trabalhar e trabalhar”, afirma. Ele afirma que o patrimônio da cooperativa não está atualizado, mas um levantamento prévio mostra que gira em torno de R$240 milhões, sendo a dívida de igual valor. “Fizemos um levantamento que mostra que o patrimônio da Cotrel e a dívida se equivalem”, observa. E, acrescenta, “o passivo é difícil de dimensionar porque há muitas negociações a serem feitas”. Com a autoliquidacao, explica Paraboni, se ganha um tempo para negociar, avaliar, e, principalmente, para reduzir a dívida.
A liquidação tem um prazo determinado de um ano podendo ser prorrogado por mais um ano. Nesse período, “a dívida tem que ser negociada e pode ser menor do que isso”, observa.
Hoje, a Cotrel recebe em torno de R$ 450 mil por mês com alugueis dos silos, armazéns e unidade de leite. A cooperativa tem cerca de 10100 associados e está presente em 21 municípios da região.
Paraboni ressalta que autoliquidação é um instrumento que as cooperativas têm semelhante à recuperação judicial das empresas privadas. Momento para ordenar o ativo e passivo e “ganhar tempo para negociar”, salienta. Entre os credores estão bancos, impostos, fornecedores e produtores.
O presidente enfatiza que a cooperativa vai ter que vender o patrimônio para pagar as dívidas. “No entanto, tem que valorizar e vender bem. Os bens estão penhorados e obrigatoriamente isso vai a leilão. Importante avaliar dentro de um valor real e procurar que dentro do leilão vá pelo valor que vale”, comenta.
Quando pergunto sobre o momento atual, Paraboni salienta que a situação da Cotrel vem de tempo, com grande endividamento. “O que se conseguiu nesses últimos 13 anos foi pagar o maior número de produtores possível. Quando assumimos a maior conta era do produtor, na época tinha quase oito mil produtores em haver da Cotrel e hoje são menos de dois mil. Esse tempo serviu para liquidar grande parte do produtor”, observa.
Paraboni salienta que tanto a Aurora quanto a Alfa não caíram de paraquedas, mas assumiram os negócios com os produtores depois de muito esforço e negociação. “A Cotrel chegou nesse ponto por vários fatores”, conclui.
Num determinado momento da assembleia, enquanto o presidente apresentava o resultado da auditoria, o produtor Carlos Gustavo Duwe de Campinas do Sul, representando seu pai, associado da cooperativa, pediu a palavra para fazer um contraponto de tudo que vinha sendo apresentado. Segundo Duwe, a dívida da Cotrel é de R$ 600 milhões e o patrimônio está estimado em torno de R$ 200 milhões. Ele ressaltou que além de não fechar as contas e o produtor não receber o que tem em haver, vai ter que ainda pagar a conta. Ele cita como exemplo a filial de Campinas do Sul, que era avaliada em R$ 14 milhões e foi vendida por R$7 milhões, a metade do preço.