Os lojistas não tem muito que comemorar neste Natal. Apesar de três anos sucessivos de crise, as vendas reagiram, mesmo que timidamente. Sábado, antevéspera de Natal, deve ser um dia de muita procura pelo comércio. A expectativa é que o movimento neste dia ajude a melhorar os números das vendas.
Na avaliação de Lindanir Canelo, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Erechim (CDL Erechim), a avaliação oficial das vendas de Natal e da programação será realizada na próxima semana. O que pode ser adiantado é que o comércio está fluindo como esperado. “As vendas estão acontecendo, mas de maneira tímida”, explica.
Lindanir ressalta que o comércio ainda deve movimentar bastante na sexta-feira (22) e sábado (23), quando fica aberto das 8h às 19h. Ela observa que os comentários recebidos sobre a programação de Natal foram positivos, as pessoas acharam os shows fantásticos, mas sentiram falta das luzinhas.
Tendo em vista a mudança de concepção no modelo de Natal e o curto espaço de tempo, cerca de 20 dias para organizar tudo, o resultado foi satisfatório, diz a dirigente. “A CDL está feliz com o projeto”, acrescenta.
A falta de estacionamento foi um ponto negativo para os lojistas da área central da cidade. Esta situação, por outro lado, teve um impacto favorável para as lojas fora do centro, já que o consumidor por não conseguir estacionar, migrou para o comércio dos bairros.
Segundo Lindanir, aumentaram as contratações temporárias em dezembro. “O número de contratos só para este mês cresceu 5,5%, percentual elevado para um período de crise”, salienta. A CDL Erechim vai apostar neste modelo, encontrar alternativas para fazer um Natal de pessoas e para pessoas.
Para a gerente Luciana Prager da loja de calçados, roupas masculinas e femininas, as vendas de Natal foram muito satisfatórias. “O nosso preço é popular e o consumidor está buscando o menor valor. Em meio à crise o pessoal procura o mais barato”, explica. Luciana acha que a programação de Natal não trouxe muita gente de fora da cidade, nem teve muita interferência no comércio.
Conforme a gerente da loja de calçados Regina Aranda, que sempre trabalhou no comércio, as vendas de Natal podem ser consideradas medias, estáveis, mas inferiores ao ano passado. Regina acredita que esta situação é reflexo da crise econômica e da falta de dinheiro do consumidor.
A gerente afirma que a programação de Natal não interferiu nas vendas, o problema mesmo está na falta de vagas para o cliente estacionar. “Os clientes reclamam muito. Como uma pessoa de idade, neste calor, vai deixar o carro muito longe e vir a pé para o centro? Não tem como”, observa.
Atualmente gerenciando uma loja de roupas femininas, Faustino Scalabrin afirma que o volume das vendas deste ano está praticamente igual ao ano passado. “Não houve acréscimo nas vendas”, explica. O que repercutiu negativamente no comércio foi a ausência do estacionamento rotativo. “90% dos clientes que entram na loja reclamam que não tem onde estacionar. Inclusive temos que atendê-los na rua”, comenta.
Para Faustino, a programação de Natal não influencia nas vendas. “Quem está afim, compra igual”, diz. Agora, o fator crise com certeza atrapalhou os negócios, já que muitos dos clientes são funcionários públicos do estado e estão com salário atrasado ou parcelado. “Aí fica com um pé atrás para comprar”, observa. Ele acredita que a volta do estacionamento rotativo vai ajudar a melhorar as vendas. “E, também, esperamos que melhore economia”, enfatiza.
De acordo com a gerente Lisiani Sandini, na medida em que vai se aproximando do Natal o movimento aumenta. “As vendas, no geral, estão iguais ao ano passado. O que vier daqui para frente será um acréscimo”, observa. A gerente atua há mais de 20 anos no comércio de roupas, confecções, armarinhos e moda gestante, e afirma que o fluxo de pessoas estava calmo até poucos dias atrás. Após o pagamento do 13º salário que as vendas começaram a melhorar, houve mais procura e aumento nas compras.
A expectativa de Lisiane é que as compras ainda se intensifiquem nesta sexta-feira e sábado. As vendas foram prejudicadas pela falta de vagas para estacionar. “Os clientes reclamam demais do estacionamento. Às vezes, temos que fazer a venda na rua, dentro do carro, porque não tem como o cliente descer”, destaca. Lisiane gostou da programação de Natal, que estimula o cliente a sair de casa.
Com uma vida inteira dedicada ao comércio, a gerente da loja de motocicletas Ana Dias, observa que as vendas do mês de dezembro tiveram um leve aumento em relação ao mesmo período do ano anterior. Ana comenta que se comparado ao mês de novembro também houve crescimento mínimo. “O mercado de motocicletas, produtos duráveis, está muito aquém, ainda, do que deveria estar. A venda caiu muito, e ainda não se recuperou totalmente”, ressalta. A gerente observa que um fator que colaborou com a venda de motos foi o aumento no preço dos combustíveis. Por outro lado, a falta de vagas para estacionar dificultou as vendas. “Os clientes reclamam muito disto”, completa.