Nenhum município da região Alto Uruguai está entre os dez maiores do Rio Grande do Sul quando o assunto é Produto Interno Bruto (PIB). A pesquisa realizada pela Fundação de Economia e Estatística (FEE) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada na quarta-feira (14) apresentou o PIB dos municípios em 2015. Dos 32 municípios da região a grande maioria caiu posições no ranking estadual. O PIB, soma de todos os bens e serviços, diminuiu em 23 cidades do Alto Uruguai. Somente houve aumento em sete municípios, sendo que dois se mantiveram no mesmo patamar.
Erechim manteve a mesma posição do ano anterior ficando na 16ª posição no estado com PIB de R$ 4,262 bi, participação de 1,12% no PIB do RS e variação nominal de 4,04%. O Produto Interno Bruto per capita ficou em R$ 41.645, na 88ª posição no RS com variação nominal de 3,44%. Com relação a Estrutura do Valor Adicionado Bruto, a agricultura teve um percentual de 1,52%, indústria 36,48% e serviços 62%. Já na Participação no Valor Adicionado Bruto da Atividade do Estado, agropecuária colaborou com 0,18%, indústria 1,76% e serviços 1,03%.
Aratiba foi o terceiro maior PIB per capita do Estado em 2015 com R$ 139.770, sendo influenciada pela geração de energia, ficando na segunda colocação geral no Alto Uruguai somente atrás de Erechim. A cidade teve uma variação nominal de 53,12% no Produto Interno Bruto, puxada principalmente pelo setor industrial. Por outro lado, Benjamin Constant do Sul com R$ 11.963,48 está entre os municípios que detém os menores níveis de renda per capita.
Sete municípios se destacaram com a maior variação nominal do PIB na região, primeiro Aratiba com 53,12%, seguido de Entre Rios do Sul 39,18%, Cruzaltense 16,78%, Quatro Irmãos 14,92%, Gaurama 13,11%, Paulo Bento 12,74% e Centenário 12,71%.
Três Arroios foi a cidade que apresentou a maior variação nominal negativa do PIB com -48,12%, seguida de Erval Grande -6,43%, Barão de Cotegipe -2,03%, Barra do Rio Azul -1,04%, Mariano Moro -1,02% e Ponte Preta com -0,91%.
O estudo considera o Produto Interno Bruto, que representa a soma de todos os bens e serviços; e, o Produto Interno Bruto per capita que é o produto interno bruto dividido pela quantidade de habitantes da cidade. A pesquisa leva em consideração a estrutura do Valor Adicionado Bruto, valor que a atividade agrega aos bens e serviços consumidos no seu processo produtivo e a participação no Valor Adicionado Bruto da atividade do estado.
Maiores
Os 10 maiores municípios do Estado representaram 42,0% do PIB total do RS. Esses municípios possuem, em geral, maior participação da indústria e dos serviços no Valor Adicionado Bruto (VAB) e menor participação da agropecuária. O setor serviços destaca-se como atividade mais importante nesses municípios, sendo responsável pela maior parte do valor gerado. Salienta-se também o fato de que são municípios bastante populosos, com população superior a 100.000 habitantes. O estudo mostra que com o aprofundamento da crise em 2015, o setor industrial foi um dois mais afetados.
AMAU
Para Carlos Bordin, presidente da Associação de Municípios do Alto Uruguai (AMAU) esta realidade é reflexo da crise social, política e econômica que vive o país. Segundo ele, entre os grandes gargalos dos municípios está a falta de infraestrutura para poder alavancar o desenvolvimento agrícola, industrial e comercial. Citando o presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE/RS), conselheiro Marco Peixoto, ele diz que este é o pior ano para os municípios “de todos os tempos”.
Bordin ressalta que outro grande problema é o comprometimento cada vez maior da receita, ano após ano, fazendo com que os gestores percam o poder de investimento para tentar manter a qualidade dos serviços de saúde, educação e assistência social. “Os municípios estão absorvendo cada vez mais responsabilidades e perdendo a capacidade de investir”, destaca.
A segurança pública é outra área que a cada dia vem demandando mais recursos por parte da municipalidade. “As cidades estão tendo que se envolver com segurança pública, criar alternativas para conter a criminalidade que cresce no interior. E, para isto, também tem que desembolsar mais recursos”, esclarece.
O presidente da AMAU enfatiza que é necessário criar alternativas de desenvolvimento no setor primário, não ficando somente focado na cultura de grãos. É preciso, também, investir em agroindústrias, no beneficiamento dos produtos para agregar valor ao trabalho. Da mesma maneira incentivar o empreendedorismo, empresas e o comércio local, estimulando e preservando os consumidores.
Conforme Bordin, a crise que afetou as indústrias de Erechim teve reflexos na manutenção e geração de emprego e renda de toda região. No entanto, para voltar a crescer é necessário que haja investimentos em infraestrutura, e que se resolva a situação política do país. “Os empresários estão inseguros em função da indefinição política, esperando o que vai acontecer”, completa.
Agência de Desenvolvimento do Alto Uruguai Gaúcho
Para o presidente da Agência de Desenvolvimento do Alto Uruguai Gaúcho, Eduardo Predebon, a divulgação dos PIBs da região do Alto Uruguai reflete a necessidade de uma análise profunda dos bens e serviços da economia regional, principalmente, em termos de estratégias de crescimento econômico.
“Paradoxalmente, há casos de crescimentos nominais significativos e outros com decréscimo significativo, grosso modo, resultado da variação combinada do consumo e investimentos privados, bem como, dos gastos públicos, que, se positiva, tende a impactar positivamente ou, se negativa, tende a impactar negativamente a economia”, destaca.
Conforme Eduardo, os paradoxos de variação representam os impactos de, por exemplo, no caso de Aratiba a grande variação no valor adicionado da geração de energia elétrica, dessa forma, o ideal é o trabalho conjunto para o crescimento geral na indústria, nos serviços e na agropecuária.