Com plenário do prédio 08 da Universidade Regional Integrada completamente lotado de estudantes, autoridades e convidados, a Câmara Municipal de Vereadores realizou na noite desta quinta-feira (8), a sessão solene em comemoração aos 25 anos da URI, numa proposição do presidente Ale Dal Zotto e Gilson Serafin, orador da noite de homenagem.
Em sua manifestação, Gilson destacou que a URI está completando 25 anos, mas cabe lembrar que a trajetória do Ensino Superior de Erechim iniciou há 48 anos com o Centro Universitário Alto Uruguai, uma extensão da Universidade de Passo Fundo, com os cursos de Letras e Estudos Sociais.
“Vivíamos uma época com demanda significativa de profissionais com nível superior para alavancar o desenvolvimento regional. O acesso era precário e perigoso, mas mesmo assim muitos o fizeram. Erechim sempre foi uma cidade empreendedora por sua diversidade de etnias, se constituindo em uma sociedade ordeira e trabalhadora”, pontua .
Em agosto de 1975, criou-se oficialmente o Centro de Ensino Superior de Erechim, o CESE, mantido pela Fundação Alto Uruguai para a Pesquisa e Ensino Superior – FAPES. São da sua fundação a Prefeitura Municipal e a Mitra Diocesana de Erechim além de muitos empresários locais que adquiriram as instalações Congregação Santo Agostinho.
Os primeiros cursos autorizados pelo Conselho Federal de Educação foram: Administração, Pedagogia, Licenciaturas Plenas de Estudos Sociais e Letras (Português e Inglês). A partir de 1981 foram autorizados os cursos de Biologia, Matemática, História, Geografia e Ciências Contábeis.
“Com a demanda crescente de profissionais de outras áreas do conhecimento, pleiteavam-se novos cursos, mas por não termos status de Universidade, em tudo dependíamos do Ministério da Educação, e a morosidade se constituía num problema para a abertura de novos cursos. Neste momento surgiu um questionamento. Como acelerar a expansão do ensino superior na região norte do Rio Grande do Sul? Somente através da criação de uma Universidade, pois este formato de instituição tem a prerrogativa de autonomia na criação de cursos (exceto os cursos de medicina, odontologia, psicologia e direito que necessitam de autorizações específicas)”.
Gilson ressalta que havia a necessidade, no entanto, além de fazer ensino, desenvolver a pesquisa e a extensão universitária. Estes eram os novos desafios para a comunidade de Erechim. Mas novamente com muita perspicácia e bravura, as lideranças daqui se mobilizaram na busca de um formato de organização que pudesse constituir-se em Universidade. No entanto, sozinha não tinha tamanho suficiente para pleitear junto ao Conselho Federal de Educação, autorização para funcionamento, logo se buscou instituições que estavam na mesma situação.
“Por isso, fizeram parte desta iniciativa a Fesau – Fundação de Ensino Superior do Alto Uruguai de Frederico Westphalen, e a Fundames – Fundação Missioneira de Ensino Superior de Santo Ângelo”.
Após muitas tratativas e negociações, criou-se, em 1990, a Fundação Regional Integrada com sede em Santo Ângelo, mantenedora da URI – Universidade Regional Integrada do Alto Uruguai e das Missões. O ano de 1992 marca a aprovação e o reconhecimento dessa instituição, com sede em Erechim, onde está estabelecida a Reitoria.
Foi criada com a seguinte missão: formar pessoal ético e competente, inserido na comunidade regional, capaz de construir conhecimento; promover a cultura, o intercâmbio, a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização e solidariedade humanas.
A URI, hoje, possui quatro câmpus que estão localizados nas cidades de Erechim, Santo Ângelo, Frederico Westphalen e Santiago, e duas extensões sediadas em Cerro Largo e São Luiz Gonzaga. Tem um total 17 mil alunos; 1.207 professores; e 912 técnicos-administrativos. Possui 47 cursos de pós-graduação lato sensu; sete mestrados e dois doutorados; mais de 15 mil alunos na graduação e pós-graduação; mais de dois mil e duzentos alunos nas seis Escolas de Educação Básica; e mais de 90 mil pessoas atendidas por seus Programas de Extensão.
Graças ao desprendimento de pessoas e às iniciativas de Instituições de Ensino Superior e de lideranças comunitárias de diferentes áreas, foi possível unificar, em torno de uma única Instituição, não só os patrimônios físicos, mas também o conhecimento gerado por elas.
“O interesse comum, possível a partir da disposição para o estabelecimento de um diálogo que permitisse avançar na direção da construção de uma célula máter que propiciasse o nascimento de uma Instituição una, sólida, maior e mais representativa, levou, em um primeiro momento, à união das unidades de Erechim, Santo Ângelo, Frederico Westphalen, São Luiz Gonzaga e Cerro Largo. Em etapa posterior, a unidade de Santiago também passou a integrar o grupo”.
“A URI Erechim está consolidada e tem desempenhado uma função de extrema importância para o desenvolvimento regional. A Instituição possui uma longa caminhada na área do Ensino Médio, com a Escola de Educação Básica; no Ensino Superior, através dos cursos de licenciatura e bacharelado; e na pós-graduação, com os cursos de especialização, mestrados (Ecologia e Engenharia de Alimentos) e doutorado (Engenharia de Alimentos). Uma escola de língua inglesa complementa a oferta de opções de ensino oferecidas. Milhares de famílias têm acreditado e investido no futuro de seus filhos na Universidade. A prova disso é que tem formado, anualmente, cerca de 600 jovens”.
Todo trabalho desenvolvido pela unidade de Erechim está concentrado no campus I, onde está a maioria dos cursos de graduação, a Escola Básica, o Centro de Línguas e os cursos de pós-graduação; no campus II, onde se concentra a área de engenharia, ciência da computação e arquitetura e urbanismo; um Centro de Estágios e Práticas Profissionais, o grande diferencial na formação acadêmica e que atende gratuitamente 3 mil pessoas mensalmente; e uma Vila Olímpica.
“Vivemos a expectativa, agora, após aprovação do Ministério de Educação, para a instalação do Curso de Medicina, que vai colocar a URI num outro patamar da educação nacional. Essa é a torcida de toda comunidade regional. Passados 25 anos do surgimento da Universidade, a URI vem se construindo no Ensino Superior e valendo-se de competências e criatividade, se alça entre as mais bem colocadas no Estado e sul do Brasil”.
Com uma administração descentralizada, a Universidade outorga autonomia às suas Unidades sem, no entanto, abdicar de um órgão colegiado que contempla a academia e as comunidades. Mediante a ação de um Conselho Universitário, vem honrando sua missão de formar pessoal ético e competente, inserido na comunidade regional, capaz de construir o conhecimento, promover a cultura e o intercâmbio a fim de desenvolver a consciência coletiva na busca contínua da valorização e solidariedade humanas.
Em 2009, após profunda, criteriosa e meticulosa avaliação externa, analisada sob dez dimensões da essência de uma Universidade, tarefa realizada por especialistas designados pelo Ministério da Educação, a URI conquistou seu recredenciamento. A nota conferida foi motivo de satisfação e reconhecimento, que congregou desde aqueles que lançaram as primeiras raízes da Instituição até os que a conduziram por esses 25 anos, consolidando o comprometimento e o trabalho de todos os envolvidos no processo. A conquista do conceito 4, em um máximo de 5, pode ser interpretado como um desafio à melhoria, considerados os critérios estabelecidos pelo Ministério da Educação.
“No entanto, é preciso avançar. Em 2018 a Instituição passará por novo processo de recredenciamento. Considerando-se os princípios de gestão elencados e vivenciados pela URI pode-se ter uma ideia mais clara de que também a Instituição, entendida como um ente jurídico, tem por princípio agir em consonância com preceitos aceitos no mundo acadêmico.
Ética, corresponsabilidade, qualificação institucional, inovação, desenvolvimento regional, vida e ambiente, gestão democrática, sustentabilidade e internacionalização são mais que diretrizes da Universidade: constituem uma fotografia que identifica como deseja ela portar-se e o que ela própria se propõe, a que se expõe, inclusive à observação e avaliação, interna e externa, independente da origem desta avaliação.
Nesse entendimento, a Universidade é um espaço de protagonismo, de resposta aos desafios, de produção de conhecimento de excelência. O esforço empreendido pelas comunidades que formaram a URI visa transformar o Ensino Superior, trabalhado isoladamente em cada comunidade, em um grande projeto de Universidade, baseado nos preceitos exigidos, em que o local e o global se fundem para fazer crescer o seu entorno.
Diante dessa realidade, a Universidade desenvolve uma gestão determinada a levar adiante a sua missão de contribuir de modo responsável (como é da sua tradição) para o desenvolvimento científico, tecnológico, cultural, educacional e social das comunidades nas quais está inserida, melhorando, dessa forma, a qualidade do meio ambiente e de vida das pessoas.
“Uma instituição de caráter filantrópico. Ela se mantém com mensalidades e recursos de Projetos de Pesquisa e Extensão. Salvo exceções, não recebe recursos públicos. A Universidade não tem fins lucrativos. Os resultados econômicos e financeiros são reinvestidos na própria instituição”.
O marco fundacional de sua mantenedora, a Fundação Regional Integrada (FuRI) coloca seu patrimônio sob a tutela do Ministério Público. Em síntese, pode-se afirmar que a URI é uma Instituição de Direito privado, mas não de propriedade privada. O que não se contesta é seu papel social onde ela se encontra.
“Busca a qualidade e a inovação. Na Universidade, a qualidade e a inovação devem acompanhar todos os sujeitos, projetos e práticas da Educação Superior, corpo docente, infraestrutura, projetos pedagógicos, Ensino, Pesquisa, Extensão e Avaliação. A URI visa a excelência do planejamento, dos meios e, em especial, de seus resultados”.
A utilização de ferramentas modernas de administração tem permitido à Instituição acompanhar o desempenho dos seus cursos, considerando-se as perspectivas de aprendizado e crescimento da organização, processos, sociedade e sustentabilidade financeira.
A universidade também mantém convênios e intercâmbios com outras instituições nacionais e internacionais. As relações são com órgãos públicos e privados com objetivos comuns revertidos às instituições e ao bem coletivo com valorização do conhecimento e da formação. Neste sentido, a URI vem aumentando seu leque de parcerias fortalecendo seus laços de relacionamento nas mais diferentes áreas, instituições e geografias.
“Ao projetar a gestão para os próximos anos, a URI segue seu caminho trilhado pelo viés de Universidade Comunitária e pelo desafio constante da busca de excelência e da inovação, cumprindo seu propósito de oferecer Ensino, Pesquisa e Extensão, sempre tendo como força basilar os preceitos científicos e humanos, descritos na Missão e na Visão da Universidade.
“Aqui fica muito claro que a URI – 25 anos - tem um percurso que soma muitas histórias registradas, não apenas em documentos, mas na memória de uma região que viu desenvolver-se e emocionou-se com a possibilidade de ver seus filhos acreditarem na beleza dos seus sonhos”, finaliza.
Em sua manifestação, o reitor da URI, Luiz Mário Spineli agradeceu a homenagem, especialmente por ter acontecido junto ao campus da universidade, como lembrou um pouco os trabalhos de homens e mulheres que, juntos, fizeram da URI realidade.